O senador e candidato ao Governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), levou à imprensa local denúncias para paralisação de duas atas de registro de preços do Governo do Estado que somam mais de R$ 184,2 milhões. O parlamentar anunciou representações no Ministério Público (MPAM), Polícia Federal (PF) e Tribunal de Contas (TCE-AM) questionando os valores unitários (R$ 534 por kit de colchão e travesseiro) e o perfil da empresa contratada (RM Comércio de Peças Automotivas LTDA).
No entanto, a investida contra o contrato estadual resgata um episódio de fevereiro, que gera questionamentos no cenário político sobre a coerência do discurso do parlamentar.
Agenda amigável em fábrica sob investigação judicial
No dia 10 de fevereiro, Omar Aziz e o senador Eduardo Braga (MDB) cumpriram agenda institucional juntos no Polo Industrial de Manaus (PIM) e visitaram as instalações da Rodrigues Indústria e Comércio de Colchões Ltda. A atividade foi amplamente divulgada nas redes sociais dos senadores.
A empresa visitada, contudo, é o centro do chamado “Escândalo da Rodrigues Colchões”. O caso envolve a desapropriação à vista de um terreno no valor de R$ 21,5 milhões realizada pela Prefeitura de Manaus para o programa Minha Casa, Minha Vida na gestão de David Almeida, candidato ao Governo pelo Avante e segundo bastidores aliado oculto de Omar. Um não fala mais mal do outro. A operação foi suspensa e teve os valores bloqueados por decisões do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) devido a fortes indícios de superfaturamento e litígio na posse do imóvel.
A contradição temporal
O contraste na postura do senador chama a atenção:
- Fevereiro: Omar Aziz faz visita oficial, grava vídeos e prestigia a fábrica envolvida na nebulosa transação imobiliária de R$ 21,5 milhões com a Prefeitura de Manaus, sem tecer críticas públicas às suspeitas que pesam sobre o grupo empresarial.
- Agosto: O senador adota tom de rigor fiscal e exige atuação da Polícia Federal contra o Governo do Estado por compras de colchões com indícios de sobrepreço.
Para opositores, o intervalo entre os dois fatos evidencia uma “indignação seletiva” motivada pela corrida eleitoral: rigor técnico extremo quando o alvo é o Governo do Estado e silêncio político ao interagir com empresas envolvidas em escândalos no âmbito municipal.
Posição Oficial dos Citados
O Outro Lado: Em manifestações oficiais anteriores sobre as contratações, o Governo do Amazonas sustentou que os processos de registro de preços seguem os princípios da legalidade, da transparência e dos valores praticados pelo mercado, mantendo-se à disposição dos órgãos de fiscalização para eventuais esclarecimentos. Já a Rodrigues Indústria e Comércio de Colchões Ltda., por meio de seu representante legal, Alexsuel Rodrigues, reafirma que a transação imobiliária com a Prefeitura de Manaus foi conduzida estritamente dentro das normas legais e de boa-fé, com o devido registro cartorial, e rejeita as suspeitas de superfaturamento ou irregularidades no imóvel. O senador Omar Aziz defende que sua atuação visa garantir a aplicação correta dos recursos públicos e a fiscalização dos atos administrativos no estado.





