Fazendo valer a presença dos volantes Andrey Santos e Marlon Gomes na marcação alta, o Brasil criou muitas dificuldades na saída de bola da Argentina e abriu o placar logo aos oito minutos com Guilherme Biro. Logo após os adversários tentarem se impor fisicamente com uma joelhada nas costas de Giovane, a Seleção recuperou a bola rapidamente, Marlon Gomes chutou forte e o meia do Corinthians aproveitou o rebote para abrir o placar.
A vantagem e a situação confortável na tabela se tornaram em armadilha para um Brasil que apostou nas linhas mais baixas para se abrir nos contragolpes. Não deu certo e a Argentina criou dificuldade até ter um pênalti a favor. Mycael defendeu a cobrança de Infantino, e o time de Ramon Menezes retomou as rédeas da partida com base na marcação pressão.
Com uma noção de espaço e posicionamento impressionante, Andrey Santos fez valer a liderança técnica para ajustar o posicionamento da equipe. Muito bem sincronizado com Marlon Gomes, antigo companheiro de Vasco, o volante do Chelsea pulou a linha de pressão para interceptar passe errado da Argentina e avançar com propriedade e marcar o segundo gol para um Brasil que voltou a ser dominante na reta final da etapa inicial.
Saltou aos olhos a maturidade de uma seleção brasileira que soube usar a seu favor o desespero da Argentina após a derrota para o Paraguai na estreia. Fosse pela imposição física e técnica de Andrey, Marlon e até mesmo Vitor Roque por dentro, fosse capacidade de controle do ritmo de jogo mesmo sem a bola, o Brasil via o adversário com posse, mas sem agressividade na maior parte do tempo.
Na volta do intervalo, a Argentina sucumbiu ao equilíbrio defensivo de um time brasileiro que a todo instante esteve mais próximo de ampliar do que sofrer qualquer tipo de pressão. Ramon deu fôlego com trocas, ao ponto de se dar o luxo de descansar Andrey Santos, e o Brasil chegou ao terceiro com Vitor Roque em cobrança de pênalti sofrido pelo próprio após vacilo defensivo dos argentinos.
O gol de honra marcado por González, já aos 44 do segundo tempo, sequer colocou em risco a vitória, mas deixou o alerta para um problema na bola aérea que incomodou também na estreia diante do Peru. Lições que ficam para o hexagonal final.
Com duas rodadas pela frente na primeira fase, o Brasil fez até mais do que se esperava na Colômbia. O passaporte para o hexagonal está garantido, faltam agora cinco jogos para voltar ao Mundial. Oito anos depois, estar na Indonésia virou obsessão.