Parto raro de trigêmeos é realizado com sucesso na maternidade Ana Braga

Procedimento de alta complexidade mobiliza estrutura especializada e garante assistência à mãe e aos recém-nascidos

Fotos: Evandro Seixas / SES-AM

A dona de casa Francis Dalva Braga, de 40 anos, deu à luz trigêmeos, nesta sexta-feira (17/04), na Maternidade Ana Braga, localizada no bairro São José I, na zona leste de Manaus. Moradora do município de Tefé, (a 523 quilômetros de Manaus), ela estava na 33ª semana de gestação de duas meninas e um menino que nasceram saudáveis, embora precisem permanecer internados para ganhar peso.

A primeira a nascer foi Kiara, às 16h05, com 2,260 kg e 45 centímetros. Em seguida, Gustavo veio ao mundo às 16h06, pesando 1,960 kg e medindo 45 centímetros. Por último, às 16h08, nasceu Hanna, com 1,940 kg e 44 centímetros.

Os três recém-nascidos precisaram de suporte ventilatório não invasivo para auxiliar na respiração e seguem em acompanhamento na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN).

Mãe de seis filhos, Francis conta que esta foi a primeira vez que deu à luz fora de sua cidade natal. Ela realizou o pré-natal em uma unidade de saúde do município de origem, sendo posteriormente encaminhada para a capital, por se tratar de uma gestação de alto risco.

A gravidez não era esperada, a descoberta ocorreu durante uma internação, aos dois meses de gestação, após a realização de exames, trazendo surpresa e emoção à família.

“O impacto foi muito grande quando recebi a notícia de que estava grávida de trigêmeos. Naquele momento, fiquei sem chão. Com o passar do tempo, fui assimilando melhor a situação e entendendo que, se Deus me confiou essa missão, é porque tudo vai dar certo”, afirmou.

Francis relata que se sentiu acolhida desde o momento em que chegou à maternidade Ana Braga. Ela destaca o cuidado da equipe e o acompanhamento contínuo durante a internação como fundamentais para que se sentisse segura e confiante ao longo de todo o processo.

“Mesmo com a ansiedade, todo esse cuidado me deixou mais confiante para o parto”, declarou.

O nascimento ocorreu de forma tranquila e dentro do esperado, com atuação multiprofissional. Para o procedimento, foi mobilizada uma equipe com 15 profissionais, entre obstetras, pediatras, neonatologistas, enfermeiros e anestesistas, seguindo protocolos específicos para partos múltiplos.

“Por se tratar de um parto de alto risco, há todo um protocolo para a realização desse tipo de procedimento, com estrutura e suporte necessários. Estamos cuidando de quatro vidas, mãe e bebês, e, para isso, contamos com uma equipe completa para garantir um parto seguro”, afirmou o ginecologista obstetra responsável pelo parto, Célio Melo.

Além do parto, a paciente também realizou a laqueadura tubária, um método contraceptivo cirúrgico, definitivo e de alta eficácia, indicado para mulheres que optam por não ter mais filhos. O procedimento pode ser solicitado com antecedência mínima de 60 dias antes do parto, conforme previsto em protocolo.

Durante a internação, os pais e os recém-nascidos também foram contemplados com kits de enxoval da rede estadual de saúde, compostos por roupas para bebês, fraldas e itens de higiene.

Rede estruturada

Em 21 anos de atuação, a Maternidade Ana Braga já realizou pelo menos oito partos de trigêmeos, sendo o mais recente em 2024. O diretor Edilson Albuquerque destaca que a unidade dispõe de estrutura adequada para atender casos de alta complexidade, garantindo assistência segura em todas as etapas, da gestação ao parto e ao pós-parto, incluindo o acompanhamento dos recém-nascidos.

“A Maternidade Ana Braga está preparada para atender casos de alta complexidade do Estado, com tecnologia de ponta, equipamentos modernos e profissionais qualificados para realizar esses procedimentos. Após o parto, a unidade organiza toda a assistência necessária, com suporte neonatal e o Banco de Leite Humano, garantindo o cuidado contínuo aos recém-nascidos”, afirmou Edilson.

Maternidade referência

A Maternidade Ana Braga abriga um banco de leite humano, como parte da estratégia para redução da mortalidade neonatal no estado. A unidade também dispõe de Centro de Parto Normal Intrahospitalar (CPNI), onde são realizados partos humanizados, com atendimento multicultural para mulheres indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência.

O espaço também é referência no método Canguru, modelo de assistência iniciado durante a gravidez de risco e que segue até a alta do recém-nascido. A prática consiste em colocar o bebê em contato com o corpo dos pais, em uma posição semelhante à que o canguru carrega seus filhotes. Um dos pilares dessa prática é o estímulo ao aleitamento materno, incentivando a presença constante da mãe junto ao recém-nascido.

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