Dados mostram que fumaça em Manaus não veio do Pará, como disse o governo Wiçu e sim de Autazes e do Careiro

Dados do METEORED de 3 de novembro de 2023 Imagem: Reprodução

No início deste mês, o governador do estado do Amazonas, Wilson Lima, e o Secretário do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, declararam que a fumaça que encobriu a cidade de Manaus seria proveniente do estado do Pará.

Embora, de fato, o estado do Pará concentre um maior número de focos de queimadas que o Amazonas, diferentes fontes de dados apontam que a fumaça do Pará não foi responsável pela “nevoeiro” que cobriu a capital amazonense e atingiu teor de particulados PM2.5 chegando a 314,99 microgramas por metro cúbico de ar (µg/m³), valor que inclusive superou a crise de poluição de Nova Delhi, na Índia.

Ao analisarmos os dados públicos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), verifica-se que o Amazonas vivenciou uma calmaria de ventos durante os períodos mais críticos da fumaça, o que dificulta a chegada de fumaça do Pará até a Amazônia central.

Durante o El Niño, o aquecimento das águas do Pacífico gera um padrão climático de alta pressão sobre a região amazônica, inibindo a ascensão do ar quente e úmido necessário para a formação de chuvas. Além disso, o aquecimento do Pacífico enfraquece os ventos alísios vindos do leste, que normalmente trariam umidade para a Amazônia, tornando a região mais suscetível à seca, o que facilita a propagação de incêndios criminosos.

O enfraquecimento dos ventos alísios vindos do Leste também não torna plausível que a fumaça do Pará fosse carregada para Manaus, uma vez que a fumaça é mais densa que o vapor de água cujos ventos não conseguem carrear para a Amazônia central devido ao efeito do El Niño

Os monitoramentos de emissão de particulados e qualidade do ar registrados pelo Meteored apontaram para duas áreas de alta emissão no estado do Pará e outra grande área de emissão localizada no estado do Amazonas, próximo à região sul de Manaus.

Os dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), indicaram uma concentração de queimadas sobre o município de Careiro e Autazes, que coincide com a área de emissão de particulados e a pior qualidade do ar na região central da Amazônia.

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