
O Partido Comunista do Brasil Amazonas (PCdoB-AM) confirma nas urnas a única pré-candidatura de mulher à Câmara dos Deputados em 2026: será a de Marília Freire, que está como pré-candidata a deputada federal.
A confirmação oficial da pré-candidatura de Marília acontece na convenção partidária, marcada para o dia 1 de agosto, quando o nome será oficializado nas urnas do partido para disputa por uma vaga na Câmara Federal.
Marília não chega à disputa como estreante. Em 2022, foi candidata ao Senado pelo Amazonas e obteve 28.557 votos no estado. O resultado daquela eleição segue como referência para a leitura da pré-candidatura atual. Pesquisa do instituto AtlasIntel, realizada em março deste ano, voltou a registrá-la entre os nomes mensuráveis no cenário estadual, com 1,7% no consolidado para Senado, sinal de reconhecimento público que a campanha soma à sua trajetória eleitoral prévia.

O contexto do PCdoB com candidaturas femininas na Câmara
A aposta em Marília também marca um retorno do PCdoB à disputa por uma cadeira feminina na Câmara Federal pelo Amazonas. A última mulher do partido a ocupar o posto foi Vanessa Grazziotin, que exerceu três mandatos consecutivos como deputada federal entre 1999 e 2011, antes de se eleger senadora, cargo que ocupou até 2019 – sendo, até hoje, a única mulher do campo da esquerda a ocupar uma cadeira no Senado, tornando o PCdoB a legenda que mais elegeu mulheres para cargos eletivos em âmbito federal. Desde então, o PCdoB amazonense não voltou a eleger uma mulher para a Câmara, reflexo de um cenário estadual mais amplo, marcado pela baixa presença feminina no Legislativo federal. Ao apresentar Marília como candidatura única, o partido sinaliza a intenção de retomar esse espaço após mais de uma década de ausência.
Para o presidente estadual do PCdoB-AM, Yann Evanovick, a candidatura de Marília significa a chegada de uma trajetória marcada por muitas lutas, construída dentro dos movimentos sociais.
“Marília representa uma renovação importante para o PCdoB no Amazonas. Sua candidatura reúne trajetória e identidade política capazes de dialogar com amplos setores da sociedade amazonense para disputar uma vaga na Câmara e fortalecer um novo ciclo da esquerda no estado”, afirma o presidente estadual do PCdoB no Amazonas.
Quem é Marília
“Eu vim da beirada, da luta de movimentos sociais, pelos direitos das mulheres, crianças e contra todas as vulnerabilidades que a sociedade insiste em invisibilizar. Estou a disposição com essa candidatura, que não é sobre mim, é sobre toda a diversidade de mulheres amazônicas, é por todas as infâncias, ribeirinhas, urbanas, indígenas e quilombolas, é sobre todas pessoas que a política deixa de fora. Vamos juntos levar para Brasília pessoas, lutas e pautas, e fazer política do jeito que a gente aprendeu em cada enfrentamento do dia a dia, com o pé no chão e diálogo com as comunidades”, é o que afirma Marília.
Marília é uma mulher negra, amazônida, lésbica, mãe e de esquerda. Filha da dona Eró e do seu Chagas, é servidora do Tribunal de Justiça desde 2007. Tem formação em Direito e Psicologia e construiu sua trajetória como pesquisadora e militante feminista, sendo uma das Coordenadoras do Fórum Permanente das Mulheres do Amazonas, e a Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher. Sua atuação está ligada à defesa das mulheres, à proteção das crianças, ao acesso à justiça e ao combate ao racismo. Como pré-candidata a deputada federal pelo Amazonas, defende uma política próxima da vida real, comprometida com a dignidade das pessoas e com o enfrentamento aos interesses que ameaçam o Estado
Marília lidera, desde o início da pré-campanha, a organização do Movimento Da Beira ao Centro, iniciativa que articula diálogo com diferentes segmentos sociais do Amazonas, com o objetivo de trazer as comunidades e movimentos que são vistos como margem. Essa trajetória de escuta soma-se ao apoio de uma estrutura partidária do PCdoB que conta com 42 diretórios distribuídos por todo estado, base que sustenta a organização territorial da campanha.




