Discutir o futuro da água no coração da Amazônia, cercado pelo maior reservatório de água doce do planeta e, ao mesmo tempo, marcado por desafios de acesso ao saneamento, foi o mote de um debate estratégico realizado em Manaus pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil, por meio do Movimento +Água. O evento, realizado nesta terça-feira (25) na sede da Águas de Manaus, reuniu pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes do setor privado para discutir a universalização do acesso ao saneamento e a adaptação às mudanças climáticas.
Manaus foi escolhida como a primeira cidade para receber um dos encontros do Movimento +Água, que tem como objetivo impactar 100 milhões de pessoas no Brasil. Os encontros regionais do Movimento +Água ainda passarão por outras regiões do país. O próximo está programado para 9 de setembro, no interior de São Paulo.
“É muito simbólico trazer essa rodada regional de discussões do Pacto Global das Nações Unidas para Manaus e para a Amazônia, uma região que está no centro dos desafios climáticos que enfrentamos e onde o saneamento tem um papel cada vez mais estratégico na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Para o grupo Aegea, por meio da Águas de Manaus, é uma honra receber esse primeiro encontro em uma cidade que vive uma verdadeira transformação do saneamento, com a chegada da água tratada e da coleta de esgoto em comunidades, becos, rip-raps e palafitas. É um movimento que representa dignidade para milhares de famílias”, destaca o presidente do Instituto Aegea, Edison Carlos.
A programação contou com debates que reforçaram a agenda do ODS 6 – Água Potável e Saneamento. No primeiro painel, a discussão abordou a realidade hídrica da região e iniciativas voltadas à garantia de dignidade no acesso aos serviços de saneamento básico, como as Tarifas Manauara e 10, que atualmente beneficiam mais de 140 mil pessoas em Manaus.
O segundo bloco foi dedicado à participação de lideranças comunitárias, que compartilharam experiências sobre como a universalização do abastecimento de água vem transformando a realidade de comunidades da capital amazonense. Moradora da Cachoeira Alta, no Tarumã, a Cacica Fran foi uma das participantes do painel. “É muito importante estar aqui hoje, com outras lideranças comunitárias, falando de algo que a gente não consegue viver sem, que é a água. Depois de muita luta, conseguimos levar água potável para a nossa comunidade, e isso foi a realização de um sonho. Hoje, temos um poço e mais segurança para as famílias. Agora, nosso próximo sonho é a rede de esgoto, que é uma necessidade de todos”, afirma.
O terceiro painel reuniu representantes de empresas para discutir a construção de soluções voltadas à segurança hídrica e ao desenvolvimento sustentável da região.
O encontro foi encerrado com um momento simbólico de adesão e fortalecimento dos compromissos assumidos pelo Movimento +Água, reforçando a importância da atuação conjunta entre empresas, poder público, comunidades e sociedade civil para enfrentar os desafios relacionados à água e ao saneamento no país.
Para Mônica Gregori, diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU – Rede Brasil, conversas como as desta terça-feira são fundamentais para ampliar a compreensão sobre os impactos do saneamento e fortalecer o compromisso da sociedade com a universalização do acesso aos serviços.
“É importante entender que o acesso à água tratada e à rede de esgoto gera impactos muito maiores do que aqueles que conseguimos enxergar. O esgoto, muitas vezes invisível, traz benefícios concretos para a saúde, a qualidade de vida e a dignidade das pessoas. Levar saneamento a mais famílias é levar cidadania e garantir que ninguém fique para trás. Ao mesmo tempo, é fundamental conscientizar a sociedade sobre o papel de cada um para que esses avanços sejam preservados e esses benefícios sejam mantidos”, aponta.
O encontro acontece em um momento em que Manaus atravessa o período de estiagem, marcado pela descida dos níveis dos rios e pela necessidade de adaptar a estrutura de captação de água da capital amazonense. O diretor-presidente da Águas de Manaus, Pedro Augusto Freitas, destaca a importância de debater esse tema frente às mudanças climáticas.
“Quem trabalha todos os dias com distribuição e tratamento de água sabe da importância de preparar o sistema para enfrentar os desafios climáticos. Ter em Manaus esse debate sobre a importância do saneamento e da resiliência hídrica da nossa região reforça como é fundamental que indústria, comércio, poder público e concessionária trabalhem juntos para garantir água de qualidade nas nossas torneiras, independentemente do momento climático que estamos vivendo”, aponta.

Movimento +Água
O Movimento +Água é uma iniciativa de engajamento empresarial coletivo que busca contribuir para objetivos centrais das agendas de segurança hídrica e acesso ao saneamento básico no Brasil, em alinhamento ao ODS 6 – Água Potável e Saneamento. A meta é impactar a vida de 100 milhões de pessoas no país por meio de ações coletivas. A iniciativa já mobilizou empresas e organizações de diferentes regiões do Brasil em preparação para a Conferência da Água da ONU de 2026.
Sobre o Pacto Global da ONU
Como uma iniciativa especial do Secretário-Geral da ONU, o Pacto Global das Nações Unidas é uma convocação para que empresas de todo o mundo alinhem suas operações e estratégias a dez princípios universais nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e anticorrupção.
Lançado em 2000, o Pacto Global orienta e apoia a comunidade empresarial global no avanço das metas e valores da ONU por meio de práticas corporativas responsáveis. A iniciativa reúne mais de 20 mil participantes distribuídos em 70 redes que cobrem 100 países, sendo a maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo. Há ainda cinco Hubs em diferentes regiões do mundo.





