MANAUS (AM) – A condução de um flagrante no plantão do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP) transformou-se em alvo de graves acusações e indignação nos bastidores da segurança pública do Amazonas. O delegado plantonista Kleber William Lemos está sendo duramente acusado por interlocutores de ignorar provas robustas apresentadas pela Polícia Militar e liberar o traficante Ismael dos Santos Gama, vulgo “Cadeado do CV”, capturado por policiais da 10ª Companhia Interativa Comunitária (CICOM) na Rua da Copa, no bairro Alvorada.

A revolta ganha proporções ainda maiores devido ao histórico do infrator: esta teria sido a terceira vez em apenas 15 dias que o homem foi detido pelas forças de segurança.
Acusações apontam que palavra de infrator pesou mais que vídeos e materialidade
De acordo com denúncias e informações de bastidores que chegaram ao Portal Chumbo Grosso, a equipe da PM apresentou no balcão da delegacia uma balança de precisão digital, um isqueiro, cédulas de dinheiro e 39 cigarros de maconha prontos para comercialização (conforme registrado em imagens abaixo). Além disso, os policiais teriam apresentado filmagens que flagravam o suspeito vendendo os entorpecentes e escondendo o material em um contador de luz.
A acusação que pesa sobre o delegado é a de que ele teria decidido não lavrar o auto de prisão em flagrante sob a justificativa de que o suspeito alegou que a droga “não era dele”. Fontes ligadas à ocorrência acusam a autoridade policial de dar maior credibilidade à versão do acusado do que ao acervo probatório de áudio e vídeo reunido pelos policiais militares civis na rua.
Perfil ideológico vira alvo de críticas nos bastidores
O desfecho do caso fez com que o perfil do delegado Kleber William virasse alvo de questionamentos e críticas políticas internas. Relatos apontam que ele é rotulado nos bastidores como “esquerdista” por supostamente adotar posturas alinhadas a pautas progressistas no exercício da função. Ele também é descrito como um profissional de estilo peculiar — conhecido como “delegado skatista” e por usar camisas de bandas de metal —, além de ser apontado por críticos por se declarar publicamente contra o uso de armas de fogo no ambiente de trabalho.
Para os críticos e membros das forças de segurança que acompanharam o caso, a conduta do plantonista na liberação do “Cadeado do CV” teria sido influenciada por essa visão ideológica flexível em relação à criminalidade. A acusação levanta mais uma vez o debate sobre o desgaste sofrido pelo policiamento de rua, que vê o trabalho de capturar criminosos reincidentes ser desfeito no balcão dos plantões policiais de Manaus.

Espaço para o Contraditório
O Portal Chumbo Grosso preza pela isenção e pelo equilíbrio jornalístico, deixando o espaço integralmente aberto para que o delegado Kleber William Lemos, a Associação dos Delegados de Polícia (ADEPOL) ou a assessoria de comunicação da Polícia Civil do Amazonas possam se manifestar e apresentar sua defesa ou esclarecimentos técnicos a respeito dos fatos e das acusações citadas nesta matéria. Até o fechamento desta edição, nenhuma nota oficial havia sido enviada; caso haja manifestação, o texto será atualizado imediatamente.





