A promessa de modernização no sistema de energia elétrica do Amazonas transformou-se em motivo de apreensão e indignação para milhares de famílias no estado. Com a atuação da Âmbar Energia na concessão de distribuição, moradores da capital e do interior relatam um cenário duplo de insatisfação: enquanto as falhas no fornecimento continuam recorrentes, as faturas mensais sofreram aumentos expressivos logo após serviços de reestruturação da rede.
Disparada nas faturas e suspeita de repasse indevido
O padrão das queixas registradas em órgãos de fiscalização se repete em diferentes bairros de Manaus. Após equipes realizarem a substituição de cabos antigos, postes e a instalação de novos medidores digitais ou aéreos, moradores são surpreendidos com cobranças que chegam a dobrar ou triplicar de valor, sem que tenha havido mudança nos hábitos de consumo ou na quantidade de aparelhos eletrodomésticos na residência.
Consumidores relatam que as alterações nas faturas ocorreram de forma abrupta no mês seguinte às intervenções na fiação das ruas. O cenário levantou a suspeita de que custos operacionais e de infraestrutura da própria concessionária estejam sendo repassados indiretamente aos usuários ou que haja inconsistências na medição.
Pelo Código de Defesa do Consumidor e pelas normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), investimentos em ampliação, manutenção e modernização da rede elétrica são de responsabilidade exclusiva da empresa distribuidora, sendo proibida qualquer cobrança direta ou repasse desses custos na conta do cliente.
Instabilidade na capital e gargalos no interior
Paralelamente às reclamações sobre o faturamento, a qualidade do serviço prestado segue no centro do debate público:
- Em Manaus: Bairros da capital enfrentam quedas frequentes de energia e oscilações de voltagem, situação que causa prejuízos diretos com a queima de equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos.
- No interior: Em municípios dependentes de usinas termelétricas e sistemas isolados, interrupções prolongadas impactam serviços essenciais, prejudicando o funcionamento de postos de saúde, o abastecimento de água e o comércio local.
Apurações e orientação ao consumidor
Diante do volume de denúncias, instâncias como o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), a Defensoria Pública (DPE-AM) e os Procons passaram a acompanhar de perto as práticas de faturamento e a conduta da distribuidora.
Para os consumidores que identificarem aumentos injustificados na fatura após a troca de equipamentos na rede elétrica, a orientação dos órgãos de defesa é:
- Registrar contestação formal: Entrar em contato com a concessionária solicitando a revisão da leitura e guardando todos os números de protocolo.
- Solicitar perícia técnica: Em caso de divergência no consumo medido, requerer a verificação do medidor junto ao Instituto de Pesos e Medidas do Amazonas (IPEM-AM).
- Acionar os órgãos de proteção: Formalizar a denúncia no Procon-AM, na Defensoria Pública e nos canais de atendimento da ANEEL para embasar medidas de fiscalização e eventuais ações coletivas.
Posicionamento da concessionária
A reportagem tentou entrar em contato com a assessoria da Âmbar Energia para solicitar um posicionamento sobre as queixas de oscilação no fornecimento e os relatos de aumentos nas faturas após as intervenções na rede elétrica, mas não conseguiu, devem estár sem energia. O espaço permanece aberto para a manifestação da empresa, e este texto será atualizado assim que uma nota oficial for enviada.





