Maria de Lourdes Feijó dos Santos, de 69 anos, acredita que a pessoa idosa precisa ter um lugar onde possa encontrar amparo, conversar e ser ouvida, especialmente quando não conta com proteção na própria família. Para ampliar esse atendimento, o governador Roberto Cidade inaugurou um novo posto do Centro Integrado de Proteção e Defesa da Pessoa Idosa (CIPDI), no PAC Studio 5, na zona sul de Manaus.
“É muito importante porque eu acredito que com esse centro o idoso se sente protegido, porque nem todo idoso tem aquela proteção na sua família, e às vezes ele se sente tão só e ele precisa de um amparo, precisa recorrer a alguém que dê confiança, converse com ele, escute as dores dele também”, afirmou Maria de Lourdes.
O novo posto é o quarto do CIPDI na capital. No local, pessoas idosas podem receber atendimento psicossocial, orientação jurídica e encaminhamentos. O serviço também registra denúncias, realiza visitas domiciliares, promove ações de conscientização e atua na mediação de conflitos. A unidade funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Até setembro de 2026, o CIPDI realizou 8.270 atendimentos, média de 43 por dia útil. Em 2025, foram 10.827 atendimentos, cerca de 30% a mais que em 2024, quando o serviço registrou 8.280. Entre os atendimentos de 2025, aproximadamente 56% foram a mulheres. As faixas etárias com maior incidência de violações foram de 60 a 69 anos, de 70 a 79 e de 80 a 89 anos.
A ampliação para a zona sul considera os registros de violações na capital. Em 2025, a zona leste teve o maior número, com 4.072, seguida pela zona norte, com 3.282, e pela zona sul, com 923.
“Verificamos estatisticamente que há necessidade de ampliação desse serviço porque as maiores violações de direitos da pessoa idosa ocorrem nas zonas norte e leste, e em seguida na zona sul. Em 2024 e 2025, nós inauguramos um CIPDI na zona norte, outro na zona leste, agora estamos ampliando o atendimento na zona sul”, explicou a secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Jussara Pedrosa.
A secretária também ressaltou que a violência contra a pessoa idosa pode ser difícil de denunciar quando ocorre dentro da própria família. “A violação da pessoa idosa é muito complexa, porque de fato é praticada na maioria das vezes por um filho, um genro, uma nora. Então, já é dificultoso que saia de casa para expor de fato que está passando por esse tipo de violação”, afirmou.
Violações
Entre os registros de 2025, as violações mais frequentes foram negligência, com 1.764 casos; vulnerabilidade e risco social, com 1.433; violência psicológica, com 786; violência financeira e econômica, com 683; intimidação e perturbação, com 634; e violência física, com 219.
O CIPDI atua, desde 2007, na proteção e defesa dos direitos da pessoa idosa. Além do posto no PAC Studio 5, há unidades nas zonas norte e leste e atendimento na região do Parque Dez, junto à Delegacia Especializada em Crimes contra a Pessoa Idosa. Denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100 e pelos números 180 e 190, que recebem ligações 24 horas por dia.
FOTOS: Divulgação/Secom





