MANAUS – O cenário político amazonense foi sacudido esta semana por um embate direto entre o senador Omar Aziz (PSD) e o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). O estopim da crise foi a afirmação do senador de que o chefe do Executivo municipal teria cometido o crime de prevaricação — que ocorre quando um funcionário público retarda ou deixa de praticar ato de ofício para satisfazer interesse pessoal.
Em resposta veemente divulgada em vídeos recentes, o prefeito David Almeida não apenas negou as irregularidades, como inverteu a acusação contra o senador. Segundo Almeida, Aziz o teria procurado para revelar detalhes de uma operação policial sigilosa que envolvia familiares do prefeito, sugerindo que o senador teve acesso privilegiado a informações de investigações em curso.
“Quem prevaricou foi o senador. Como ele sabia de uma operação sigilosa e por que veio me contar?”, questionou o prefeito, alegando ainda ter se sentido intimidado a desistir de uma eventual candidatura ao Governo do Estado.
O Contra-ataque de Omar Aziz
Nesta sexta-feira (27), durante o lançamento de seu plano de governo para a economia, o senador Omar Aziz rechaçou as acusações e apontou contradições na fala do prefeito. Aziz lembrou que, até outubro do ano passado, David Almeida era um aliado público que, inclusive, teria tentado indicar a própria filha para a vaga de vice na chapa do senador.
“Qual é a lógica de a gente ameaçar um aliado, um amigo? Onde está a lógica disso?”, questionou Aziz. O senador devolveu a acusação de prevaricação ao mencionar supostos pagamentos irregulares da prefeitura: “Ele prevarica quando paga em dinheiro em espécie de uma agência que não existe. E eu que sou o culpado?”.
Segurança Pública e Operação Erga Omnes
O embate ganha contornos de segurança pública devido à Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil no último dia 20. A ação resultou na prisão de Anabela Cardoso Freitas, assessora de Almeida, por suposto envolvimento com o tráfico de drogas.
Elevando o tom ético da disputa, Aziz marcou posição sobre sua trajetória pública: “Ao contrário de muita gente, eu sempre combati o narcotráfico e botei traficante na cadeia, como secretário de Segurança e como governador. Eu não protejo traficante e nem o coloco no meu gabinete”, disparou o senador, em referência direta à servidora municipal presa.
Enquanto aliados de Aziz sustentam que as críticas baseiam-se em falhas de governança, a defesa de David Almeida classifica as acusações como “factoides políticos” desenhados para desgastar sua imagem no tabuleiro eleitoral.





