A política do Rio de Janeiro entrega mais um capítulo com cheiro de pólvora e contradição. O advogado Diogo Pacheco do Couto, que até semana passada ocupava o cargo de chefe de gabinete do vereador Artur Rodrigues (Podemos/São Gonçalo), tem entre seus clientes VIPs ninguém menos que Paulo Gabriel Malafaia da Silva, o vulgo GB do Catarina — apontado pela polícia como um dos chefões do Comando Vermelho (CV) na região.
O jurista-influenciador deixou o cargo na Câmara Municipal, onde faturava entre R$ 7 mil e R$ 10 mil por mês, para assumir a coordenação de campanha de Carol Nunes (candidata à Câmara Federal pelo PL).
A CONTRADIÇÃO DO “PAPA-VOTOS” DA SEGURANÇA
A trama ganha contornos de pura hipocrisia política quando se olha para as alianças de gabinete:
- Padrinho Político: Tanto o ex-chefe de gabinete quanto o vereador são aliados de primeira hora de Douglas Ruas, presidente da Alerj e pré-candidato do PL ao governo do Estado.
- A Pauta: A principal bandeira de campanha de Douglas Ruas nas redes e nos palanques é exatamente o combate implacável ao crime organizado.
- O “Padrão” do Cliente: Do outro lado do balcão, o cliente do seu ex-assessor é um faccionado preso em 2024 com mais de 90 anotações criminais. GB do Catarina já foi filmado pela Polícia Civil escoltado por um “exército” de mais de 80 homens — sendo pelo menos 50 deles armados com fuzis de guerra.
A DEFESA DO VEREADOR
Pressionado sobre a promiscuidade entre o gabinete público e a defesa de lideranças do narcotráfico, o vereador Artur Rodrigues tirou o corpo fora em nota oficial: alegou que Diogo Couto tem 15 anos de advocacia criminal, que a atuação no gabinete foi “estritamente técnica e profissional” e rasgou elogios ao ex-assessor.
Fonte e Foto: Coluna de Tácio Lorran/Metrópoles.





