Petista José Rainha é preso após comandar invasões de fazendas em SP

José Rainha (MST), condenado a 31 anos de prisão, é “amigo particular de Lula, leal aos princípios do PT”

Lula com seu amigão José Rainha e outros representantes da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), além do diretor do Instituto Lula Luiz Dulci, em 9/4/2014. Em 2 de fevereiro de 2012/Lula Rainha (/)

A Polícia Civil de São Paulo prendeu neste sábado (4) o petista José Rainha e Luciano de Lima na cidade de Mirante do Paranapanema, na região do Pontal do Paranapanema sob a suspeita de extorsão a proprietários rurais na região. A polícia também informou que foram apreendidas armas supostamente usadas em conflitos agrários.

Na fota, o líder da Frente Nacional de Lutas no Campo e Cidade, José Rainha; movimento disse que prisão teve “cunho político”./OPoder

As operações ocorreram na sexta-feira (3) e neste sábado na área do Pontal do Paranapanema. As diligências foram decorrentes de mandados de prisões preventivas, pedidos e autorizados pela Justiça, de líderes de movimento de invasão de terras. Segundo a polícia, os alvos dos mandados exigiam vantagens financeiras de pelo menos seis pessoas.

Em outro inquérito foram realizadas buscas de pessoas que seriam as responsáveis por expulsar invasores de terra e foram apreendidos dois fuzis calibre 556, duas espingardas calibre 12 e uma calibre 357.

“As prisões preventivas têm como objetivo a interrupção do ciclo delitivo e promoção de prevenção geral e paz no campo. É importante ressaltar que em nada se confundem com os atos decorrentes do Carnaval de 2023, quando um grupo invadiu nove propriedades rurais, mas sim visa a apuração do ciclo de violência decorrentes de extorsões e dos disparos de arma de fogo, incluindo fuzil, o que colocou em risco número indeterminado de pessoas”, informou a polícia em comunicado.

Por meio de nota, a FNL (Frente Nacional de Luta), confirmou a prisão de Rainha e Lima e, por meio de comunicado, afirmou que as detenções tem “cunho político” e, ao contrário, do que disse a polícia, a organização atribui as prisões ao que chamam de  jornada de ocupações do Carnaval Vermelho.

“Essa prisão de cunho político, tem nítida relação com a jornada de ocupações do Carnaval Vermelho, sendo um ato de retaliação aos lutadores do povo sem terra. A FNL ganhou força nos últimos anos ao realizar jornadas de luta no carnaval. O objetivo do Carnaval Vermelho é trazer para a discussão à contradição de sermos um dos países que mais produz alimentos no mundo, porém temos mais de 125 milhões de brasileiros com alguma insegurança alimentar, sendo 58% dos brasileiros e brasileiras, e o mais grave, são mais de 33 milhões com insegurança alimentar severa.

O comunicado diz que Rainha tem “direito de responder à acusação que for, em liberdade, não há fundamento para uma prisão”.

“Exigimos a imediata liberdade e convocamos todos aqueles que lutam a se solidarizar, pois não podemos tolerar que o Estado haja de maneira arbitrária contra quem luta”, diz o comunicado da FNL.

Invasões em abril

Lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra disseram que deverão ocorrer dezenas de invasões país afora em abril caso o governo não apresente um plano nacional de reforma agrária que contemple um cronograma de assentamentos durante todo o governo Lula.

Nas contas do movimento, há cerca de 100 mil famílias acampadas no Brasil, das quais 80% são vinculadas ao MST. A maior parte se situa na região Nordeste.

O MST também cobra que as nomeações para as superintendências regionais do Incra, órgão responsável pelos assentamentos, sejam aceleradas. Das 29 superintendências, apenas seis foram nomeadas pelo atual governo.

O movimento deseja que os indicados tenham ligação com o movimento de reforma agrária. Há uma avaliação no MST de que com a mudança do governo Jair Bolsonaro para Lula o ambiente é mais favorável à reforma agrária e, consequentemente, à invasões de propriedades.

Amigo de Lula

Segundo a Coluna de Felipe Moura Brasil, José Rainha Júnior, ex-líder do MST, foi condenado a 31 anos e cinco meses de prisão por extorsão, formação de quadrilha e estelionato.

É nisso que dá ser “leal aos princípios do PT”.

Veja só o que o próprio Rainha dizia no Jornal da Gazeta, em entrevista de 1º de julho de 2014 a Maria Lydia.

“Eu sempre fui leal aos princípios do Partido dos Trabalhadores. Ajudei a fundá-lo. Sou amigo particular do Lula. Votamos na Dilma. E eu não tenho dúvida de que volto a votar na Dilma, pessoalmente.”

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