Saiba quem é o pai preso por atear fogo e matar filha e sobrinha com golpes de marreta

Em fuga, David Souza Miranda foi preso na Tijuca, neste sábado — Foto: Reprodução

David Souza Miranda, de 39 anos, conheceu Nayla Maria de Albuquerque, de 24, quando ela ainda era adolescente. Os dois ficaram nove anos juntos. Há pouco mais de um mês, Nayla fugiu de sua casa e procurou abrigo na casa da família. As Informações são do Jornal Extra.

Aos parentes, quebrou o silêncio e falou sobre uma rotina de agressões e violência ao lado do ex-marido. Depois de procurar a polícia e relatar as ameaças, ela obteve uma medida protetiva contra Miranda, com o acordo de que a filha do casal, Luísa Fernanda da Silva Miranda, de 5 anos, fosse visitá-lo. No último fim de semana, Miranda foi preso suspeito de ter matado com golpes de marreta a menina e a sobrinha Ana Beatriz, de 4 anos. Era a segunda vez que a menina visitava o pai.

Além delas, ele teria atacado ainda a ex-cunhada Natasha Albuquerque, de 30 anos. Depois do crime, ele colocou fogo na casa onde elas estavam. Natasha sobreviveu e está internada no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste. Ela está estado grave, com 98% do corpo queimado. Segundo a Polícia, o crime foi cometido por vingança.

Segundo Alexander Gomes, primo das vítimas, a família não fazia ideia das violências sofridas por Nayla até um mês atrás, quando ela se separou de Miranda. Até aquele momento, os parentes achavam que eles eram “reservados”.

— Ele parecia ser uma pessoa, que tratava bem a Nayla. Mas a gente não sabia o que acontecia na casa deles. A gente achava que ela não procurava muito a família por opção, mas não era. Ele que não deixava. Ela era oprimida e presa — conta Gomes.

De acordo com ele, Nayla apareceu na casa dos avós embaixo de chuva há pouco mais de um mês. Chegando lá, ela explicou que tinha fugido do ex-marido e relatou uma rotina de violências e ameaças que sofria. O primo conta que ela tinha marcas de fios na perna e de agressões.

— Ele não aceitou a separação. Durante a madrugada, ele foi atrás dela na casa meus avós. Ele e o filho dele tentaram arrombar o portão da casa e tacaram pedras neles. Minha avó quase foi atingida. Eles só foram emboras quando os vizinhos saíram para rua. Nesse momento, nós vimos que ele era uma pessoa perigosa — conta ele. Foi quando os parentes a acolheram e a ajudaram a procurar a polícia:

— A Nayla casou muito cedo, ainda adolescente. Ela ainda era muito ingênua. Quando ela teve forças para fugir, fez tudo certo. Procurou a delegacia, fez registro de ocorrência contra ele e pediu medida protetiva para ela e para filha. Mas a justiça só deu para ela. Então, ela precisou deixar o David ver a filha. Foi quando ficou acordado que a Natasha seria responsável por levar a menina até ele. Como ela já tinha levado uma vez, ela confiou de levar a segunda. Foi quando tudo isso aconteceu — recorda.

Agressões e medida protetiva

À polícia, Nayla disse que David, a quem já denunciou por agressões e tem medida protetiva, insistiu para ver a filha na sexta-feira. Eles teriam combinado de a menina ir à casa dele às 22h na companhia da tia Natasha, a única pessoa adulta da família que podia ter contato com ele, e da prima Ana Beatriz. No local, o homem teria agredido as três com golpes de marreta e, posteriormente, ateado fogo na casa.

Um vizinho de David contou à polícia que chegou a entrar na casa para socorrer as crianças. No local, ele disse que encontrou a menina mais nova com as pernas amarradas na cama, com o corpo queimado, mas ainda viva. Segundo ele, a mais velha, Luisa, não respondia mais a nenhum estímulo e já parecia estar morta. Segundo a testemunha, Natasha estava em um sofá na sala, “toda queimada e não falava nada”. Ela segue internada em estado grave.

Os laudos de exame de necrópsia indicam que Luisa Fernanda e Ana Beatriz morreram em razão de traumatismo craniano.

Cerca de duas horas depois do crime, de acordo com o depoimento de Nayla, David teria ligado, dizendo que ela: “tinha causado uma desgraça na família e que sua filha tinha implorado para não morrer”. A frase faz menção às denúncias feitas por ela à polícia sobre as agressões sofridas contra ele, que era “agredida fisicamente durante todo o relacionamento”. Além disso, contou que a filha Luísa Fernanda assistia às cenas de agressão e também era vítima dele. Segundo Nayla, em uma ocasião, David teria batido em Luísa de tal forma que a menina ficou com a perna roxa. Ele dizia que era uma maneira de corrigi-la.

Nayla conta que soube do incêndio por meio da facção criminosa que domina a comunidade onde mora. Ela relatou ter ficado preocupada com a demora da irmã e das meninas à sua casa e que, por isso, pediu aos traficantes que fossem até à casa de David. No local, testemunhas disseram que duas crianças e uma mulher haviam sido levadas, em estado grave, a hospitais. No Albert Schweitzer, soube que a filha havia chegado sem vida.

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