A obra do complexo projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer para o Encontro das Águas, executada pela Prefeitura de Manaus, entra em uma nova etapa com o início da concretagem das estruturas que representam, na arquitetura, os rios Negro e Solimões. Nesta quinta-feira, 24/9, foram lançados 60 metros cúbicos de concreto, volume equivalente a aproximadamente 144 toneladas, transportados em cerca de oito caminhões-betoneira.
As duas estruturas, chamadas de hastes ou “asas”, começam a ganhar forma e altura a partir desta etapa. Com desenho inspirado no movimento e no encontro dos dois rios, elas subirão progressivamente até alcançar cerca de 21 metros de altura, quando irão se encontrar no topo e formar uma única peça estrutural.
Beleza não falta no entorno onde está sendo construído o projeto concebido por Niemeyer em 2005, de frente para a singularidade natural do Encontro das Águas, onde as águas escuras do rio Negro e as águas barrentas do rio Solimões percorrem quilômetros lado a lado antes de se misturarem.
Marca
Para o presidente em exercício do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), arquiteto e urbanista Pedro Paulo Cordeiro, a concretagem marca um momento importante da execução, porque começa a materializar uma das características mais marcantes do projeto.
“Estamos chegando a uma etapa em que o projeto de Oscar Niemeyer começa a se revelar de maneira muito mais concreta na paisagem. Essas estruturas têm uma função arquitetônica e estrutural, mas também carregam um forte significado: elas fazem referência ao encontro dos rios e à identidade de Manaus. É um projeto concebido há mais de 20 anos e que agora começa a ganhar, em sua execução, a forma imaginada pelo arquiteto”, destacou.
Segundo o engenheiro Leandro Ladeira, responsável pelo acompanhamento da execução, a complexidade está justamente na geometria das peças. Depois da execução da cúpula, as equipes iniciaram a montagem das formas das duas estruturas, que possuem curvas, inclinações e transições geométricas contínuas.
“Depois da execução da cúpula, a gente iniciou a montagem de forma das asas da ala direita e esquerda da estrutura. Essas alas vão subir progressivamente até alcançar uma altura de 21 metros. Um dos desafios dessa execução é justamente a geometria dessas peças. Elas não são elementos planos ou simplesmente retos, possuem curvas, inclinações e transições geométricas contínuas, que precisam ser reproduzidas com precisão durante a execução”, explicou.
A concretagem é realizada de forma controlada, seguindo as etapas previstas em projeto, com acompanhamento permanente da equipe técnica para garantir o posicionamento e a geometria da estrutura. Conforme as duas peças avançarem em altura, elas irão convergir até o topo, onde será executado um bloco de concreto responsável pela união das estruturas direita e esquerda.
“Conforme essas asas vão subindo, elas convergem até o topo, onde vão se unir. No final, haverá um bloco de concreto fazendo a união dessas duas peças geométricas e formando uma única estrutura”, completou Ladeira.
Um projeto pensado para a paisagem amazônica
Concebido por Oscar Niemeyer em 2005, o projeto para Manaus foi desenvolvido a partir da relação direta entre arquitetura e o fenômeno natural do Encontro das Águas. Na descrição do projeto, o arquiteto destacou a singularidade das águas e propôs um complexo destinado a valorizar a paisagem, com espaços para exposições, manifestações culturais e gastronomia.
Retomado em 2021 e transformado em obra a partir de 2023, o Parque Encontro das Águas está em fase avançada de execução. O complexo reúne, além da Oca, restaurante, quiosques, deck contemplativo, playground, playpet, academia ao ar livre, jardins, mirantes, estacionamento e estruturas de apoio. A empreitada recebeu atualizações de acessibilidade e ganhou status de parque com projeto arquitetônico da equipe do Implurb.
A arquitetura de Niemeyer é reconhecida justamente pela exploração das possibilidades plásticas do concreto armado, com formas curvas e elementos estruturais que ultrapassam a função puramente construtiva. No projeto do Encontro das Águas, essa característica aparece associada à própria paisagem amazônica, transformando o movimento dos rios em referência para a forma arquitetônica.





