MANAUS — A conta da derrota política de David Almeida (Avante) na disputa pelo Governo do Amazonas acaba de chegar, e quem vai pagar o preço mais alto são dezenas de trabalhadores de Manaus. Ao assinar a exoneração em massa de 50 servidores da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), o prefeito Renato Junior (Avante) não apenas escancarou sua submissão política ao padrinho, mas cometeu um ato de extrema crueldade humana: jogou dezenas de pais e mães de família no olho da rua às vésperas das festas de fim de ano.
A decisão caiu como uma bomba entre os trabalhadores da saúde municipal. Em vez de celebrar o Natal e o Ano Novo com estabilidade e dignidade, 50 famílias manauaras enfrentam agora o fantasma do desemprego, da incerteza e da falta de renda em uma das épocas mais sensíveis do ano.
“Sem Natal e sem sustento”: a revolta no funcionalismo
Nos corredores da Semsa e da Câmara Municipal de Manaus (CMM), a indignação é geral. Trabalhadores que garantiam o funcionamento de postos de saúde, gerências de logística e fiscalização sanitária foram sumariamente descartados sem qualquer critério técnico ou humanitário.
“É um absurdo e um desrespeito com quem trabalhou duro o ano inteiro. Fomos demitidos sem justificativa, da noite para o dia, apenas para abrir vaga para quem perdeu eleição. Em pleno fim de ano, como vamos colocar comida na mesa e garantir o Natal dos nossos filhos?”, desabafou um dos servidores exonerados, que pediu para não ter o nome divulgado por medo de retaliações.
Críticos e parlamentares deoposição reforçam que a manobra ultrapassa os limites da política tradicional e entra no campo da insensibilidade social. Para eles, sacrificar trabalhadores honestos para socorrer aliados políticos derrotados nas urnas prova que a atual gestão prioriza o corporativismo partidário em detrimento do bem-estar das pessoas.
A marca da submissão
A movimentação reacende o apelido de “prefeito fantoche” dado a Renato Junior pela oposição. Ao atender prontamente ao chamado de David Almeida para “salvar” a tropa que ficou sem cargo e sem mandato, o atual prefeito demonstra que a máquina pública de Manaus continua sendo gerida como um balcão de negócios particulares.
Enquanto a médica Shádia Fraxe e velhos conhecidos do grupo politico comemoram o retorno e o abrigo nos cofres públicos, 50 famílias de Manaus amargam a dor da demissão sumária e o fantasma de um fim de ano sem ceia e sem perspectiva.
O outro lado
A prefeitura ainda não se manifestou sobre as demissões





