Profissionais de saúde da Prefeitura de Manaus são capacitados para o cuidado a pessoas autistas

Fotos - Ketlen Alexandre/Semsa

Com o objetivo de fortalecer o cuidado a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a Prefeitura de Manaus está promovendo um curso de capacitação para profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). A primeira turma da formação multiprofissional iniciou nessa segunda-feira, 25/5, e segue até a quarta-feira, 27/5, com atividades no período matutino, no Centro Especializado em Reabilitação Física e Intelectual (CER II) Professor Rolls Gracie, na zona Centro-Sul.

Ao todo, 25 profissionais participam da primeira turma do Curso Básico Multiprofissional de Assistência em TEA, entre terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos, fonoaudiólogos, nutricionistas, enfermeiros e médicos do CER Professor Rolls Gracie e de policlínicas e Unidades de Saúde da Família (USFs) da Semsa, de toda a zona urbana da capital. A capacitação compreende noções sobre o TEA e suas características, epidemiologia, estratégias e fluxos de atendimento a pessoas com o transtorno na rede municipal de saúde, entre outros conteúdos.

A chefe da Divisão da Rede de Cuidados da Pessoa com Deficiência da Semsa, Ângela Castro, relata que a proposta do curso é a de qualificar os profissionais de saúde para a identificação precoce de sinais da TEA nos diferentes ciclos de vida e o fortalecimento das práticas de atenção integral e multiprofissional a esse segmento da população.

“Esses profissionais têm o papel de acolher, identificar e encaminhar usuários com TEA para os níveis de maior complexidade. Com o curso, buscamos qualificar o atendimento e ampliar o acesso das pessoas com TEA ao acompanhamento terapêutico e multidisciplinar”, disse a gestora.

Para a diretora do CER Professor Rolls Gracie, Janaína Campbell, a formação das equipes da rede básica contribui para um melhor acolhimento e cuidado integral aos usuários. “Ela dá ao profissional um olhar mais apurado, não apenas para identificar os pacientes com TEA, mas para promover a humanização na atenção. A criança com TEA precisa ter uma atenção mais afetiva, mais humanizada dos profissionais”, avalia.

Para a neuropediatra do CER Professor Rolls Gracie e uma das facilitadoras da capacitação, Marília Abtibol, a atividade favorece a integração e proporciona a troca de experiências entre os diferentes profissionais que atuam no cuidado a pessoas com TEA.

“É um momento para partilharmos conhecimentos e experiências, de forma a podermos avaliar quais são os pontos frágeis e o que podemos fazer, enquanto equipes de saúde, sociedade e famílias, para fortalecer a rede de acompanhamento às pessoas autistas”, aponta.

Uma das participantes do curso, a fonoaudióloga do Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Capsi) Sul, Marcela Pessoa, ressaltou a necessidade de debater os desafios vivenciados pelos profissionais na atenção a pessoas com TEA no Sistema Único de Saúde (SUS). “O que podemos fazer dentro da realidade do SUS é algo que precisamos discutir. Toda formação é válida para quem trabalha na saúde pública”.

O Curso Básico Multiprofissional de Assistência em TEA da Semsa terá uma nova turma nos dias 29 e 30/6, e dia 1º/7. A atividade terá 25 vagas, para profissionais de saúde de USFs que contam com equipes multiprofissionais (eMulti), policlínicas e Caps da rede municipal.

 

Cuidado multiprofissional

Em torno de 2,4 milhões de pessoas no Brasil têm diagnóstico de TEA, o correspondente a 1,2% da população brasileira, de acordo com dados do Censo Demográfico de 2022 do IBGE. Pessoas dentro do espectro podem apresentar dificuldades de comunicação e de interação social, padrões restritos ou repetitivos de comportamento, hipersensibilidade sensorial, interesses restritos, entre outros sinais da condição.

Marília Abtibol ressalta que as pessoas autistas demandam suporte multiprofissional para favorecer o desenvolvimento e a autonomia,  com atuação conjunta de neuropediatras, para avaliação do transtorno e eventuais condições associadas; fisioterapeutas, para reforço da coordenação motora; terapeutas ocupacionais, para auxiliar nas tarefas diárias e na integração sensorial; psicólogos, para trabalhar a socialização; nutricionistas, para uma alimentação equilibrada e voltada às necessidades da criança; entre outros profissionais.

A neuropediatra ressalta ainda o papel de médicos da Atenção Primária na identificação de pessoas dentro do espectro autista. “Ele atua desde o acompanhamento do desenvolvimento neuropsicomotor da criança até a aplicação do M-Chat, ferramenta que permite detectar crianças com fatores de risco para transtorno do desenvolvimento, e encaminha esses casos para avaliação e para cuidado na atenção especializada”.

Conforme Ângela Castro, na rede municipal, o CER Professor Rolls Gracie é referência na atenção a pessoas com TEA e pessoas com deficiência (PcDs). Com uma média diária de 200 atendimentos diários, o centro oferta consultas médicas em fisiatria e psiquiatria, terapia ocupacional, fisioterapia neurológica adulta e pediátrica, atendimento psicológico a pacientes e familiares, entre outros serviços.

“O centro tem um quadro completo de recursos humanos, com todos os profissionais preconizados pelo Ministério da Saúde. Ofertamos todo o cuidado possível, dentro da nossa resolutividade, encaminhando para outros níveis de complexidade na rede de cuidado quando necessário”, conclui.

 

 

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