A pré-candidata a vice e atual secretária de Saúde de Manaus, Shadia Fraxe, usou as redes sociais para vender uma ilusão embalada para presente eleitoral: a de que, se foi possível zerar a fila da tomografia, dá para zerar qualquer especialidade no SISREG.
Parece bonito no vídeo, mas na vida real da saúde pública, a conta simplesmente não fecha.
Qualquer pessoa que entende o mínimo de gestão hospitalar sabe que comparar um exame de imagem com consultas e cirurgias especializadas é misturar alhos com bugalhos para enganar o eleitor.
Por que a promessa NÃO se sustenta na prática?
- Tomografia é máquina, consulta é médico: Para zerar tomografia, basta pagar clínicas privadas, ligar o aparelho e rodar exames em turno de 24 horas. Para zerar neuropediatria, cardiologia ou cirurgia vascular, é preciso ter médicos especialistas — profissionais que faltam no mercado e que não aparecem do dia para a noite só porque a prefeitura quer.
- O gargalo do leito: Um exame de tomografia começa e termina em 15 minutos. Uma cirurgia precisa de sala cirúrgica, anestesista, equipe de enfermagem, leito de internação e, muitas vezes, vaga em UTI. Onde estão esses leitos no SISREG?
- Exame é pontual, especialidade é acompanhamento: A tomografia você faz uma vez e recebe o laudo. O paciente com doença crônica ou que precisa de especialista precisa de retornos constantes. A fila não é uma linha de chegada fixa; ela se renova todos os dias.
MPT ou Retórica Eleitoral?
Vender a ideia de que a solução para a falta de médicos especialistas e cirurgias no Amazonas é a mesma de contratar exames de imagem não é apenas ingenuidade administrativa: é promessa eleitoral inviável.
Zerar tomografia com mutirão e dinheiro em caixa é uma coisa. Prometer “fila zero” em todas as especialidades sem apresentar médicos, leitos e estrutura hospitalar é tentar fazer a população de boba em ano de eleição.
O povo que espera meses por uma consulta com especialista merece respeito e verdade, não discurso de campanha.
Texto: Ronaldo Aleixo.





