Após perseguir a imprensa para tentar se livrar da imagem de seu suposto coordenador preso por tráfico, Maria do Carmo sente o peso da rejeição e o fracasso de público em Parintins

A recepção morna e as imagens de ruas esvaziadas durante a passagem de Maria do Carmo (PL) por Parintins neste sábado revelam mais do que um simples descompasso de agenda: expõem a difícil viabilidade de sua candidatura no interior do Amazonas.

Entre uma motociata sem quórum e um comício acanhado no bairro Itaúna 2, a pré-campanha colheu o resultado prático de se apresentar em um reduto historicamente refratário ao seu grupo político — em 2022, o município conferiu 82,56% dos votos a Lula no segundo turno.

O fracasso de público, contudo, ganha contornos ainda mais complexos quando sobreposto às recentes atitudes da candidata no campo jurídico. Ao acionar o Ministério Público Eleitoral para tentar quebrar o sigilo de fonte de veículos e perfis que noticiaram a prisão de seu coordenador de campanha — flagrado com drogas —, a postulação do PL adotou uma postura de enfrentamento direto à liberdade de imprensa e às garantias constitucionais do jornalismo.

Se nos tribunais a estratégia foi tentar conter a difusão de fatos desfavoráveis, nas ruas a resposta do eleitorado parintinense veio na forma de desinteresse. A tentativa de silenciar a cobertura sobre os escândalos do seu entorno não se converteu em apoio popular; ao contrário, o contraste entre a postura ostensiva na Justiça e a baixa mobilização nas praças escancara a distância entre a narrativa da candidatura e a realidade das urnas.

NOTA EDITORIAL: O Portal Chumbo Grosso reafirma a legalidade da sua cobertura e o direito constitucional ao sigilo de fonte

O espaço continua aberto para que a citada se manifeste, caso queira.

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