Enquanto o trabalhador amazonense se espreme no calor das arquibancadas do Bumbódromo, o camarote vip do senador Eduardo Braga (MDB-AM) virou o verdadeiro “bunker” de acomodação política da República. De olho fixo na sua campanha de reeleição ao Senado, Braga não teve o menor constrangimento em usar a vitrine cultural do Festival de Parintins para ciceronear e dar palanque público às figuras mais carimbadas e desgastadas do Congresso Nacional, todas debaixo do manto de graves denúncias de corrupção.
Nas redes sociais, o senador vendeu uma “alegria” artificial ao posar sorridente ao lado dos chefes do Legislativo. Mas para o eleitorado atento, a foto oficial — com dedos em riste e sorrisos largos — selou uma imagem indigesta: a elite política se blindando mutuamente bem longe da fúria dos tribunais de Brasília.
🛩️ O aviso que veio do céu: Voo arremete sob temporal
Nem o céu de Parintins pareceu saudar a comitiva. O avião que trazia o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, enfrentou dificuldades severas antes de tocar o solo da ilha. Sob uma tempestade violenta, a aeronave vinda de Manaus foi forçada a arremeter no aeroporto local, deixando os caciques mofando no ar até que o tempo abrisse. O susto climático, contudo, não foi suficiente para esfriar o apetite por articulação no camarote.
💰 A Sombra de Daniel Vorcaro: U$ 30 milhões em propina rondam o festival
O deboche com a opinião pública fica explícito quando se puxa a ficha dos convidados de Braga. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, desembarcaram na Ilha Tupinambarana sob o impacto destrutivo das investigações da Polícia Federal.
O escândalo envolve a proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro (ex-dono do Banco Master), que acusa a cúpula do Congresso de operar um balcão de negócios criminosos. Contra Alcolumbre, o relato é devastador: Vorcaro afirma ter pago uma propina astronômica de 30 milhões de dólares (cerca de R$ 155 milhões) depositados em contas secretas no exterior para que o senador agisse como escudo dos interesses do banco em Brasília. Alcolumbre tenta desqualificar a denúncia chamando-a de “ataque orquestrado”, mas o cheiro de queimado cruzou as fronteiras do Distrito Federal e contaminou o ar da festa.
🤝 O toma-lá-dá-cá das emendas: A engrenagem da reeleição
Para disfarçar o constrangimento de desfilar com investigados por corrupção internacional, a assessoria de Braga correu para divulgar que o grupo se reuniu com o prefeito Mateus Assayag para discutir “investimentos e infraestrutura” para o Baixo Amazonas. Na prática, o Chumbo Grosso sabe como a engrenagem funciona: usam o dinheiro dos impostos do povo e as emendas parlamentares como moeda de troca para amarrar apoios de prefeitos e garantir a sobrevivência política do clã nas urnas.
A imagem que Parintins deixa para o Brasil é vergonhosa: enquanto os bumbás evoluem na arena, os tubarões da política usam o suor do povo como pano de fundo para negociar a própria impunidade e costurar a manutenção do poder.





