O incêndio no lixão de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, continua neste sábado (15), após mais de 40 horas de combate. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), as equipes seguem atuando em uma área de aproximadamente 40 mil metros quadrados, onde o fogo permanece confinado.
O fogo começou na tarde de quinta-feira (13), no lixão localizado no ramal do Janauari, no quilômetro 6 da rodovia AM-070. A fumaça gerada pelo fogo tem alcançado comunidades próximas e também pode ser vista por motoristas que trafegam pela região.
Os efeitos foram sentidos na qualidade do ar. Na manhã deste sábado, Iranduba chegou a registrar 153,8, microgramas por metro cúbico de ar (µg/m³), índice considerado “muito ruim” pelo aplicativo Selva, sistema da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que monitora a qualidade do ar no estado. Para comparação, os níveis considerados bons ficam entre 0 e 25 µg/m³.
Moradores relatam dificuldades para permanecer na região desde o início do incêndio. Uma moradora contou à Rede Amazônica que precisou enviar o filho para Manaus por causa da fumaça. Segundo ela, houve relatos de crianças que passaram mal durante a noite e precisaram ser socorridas.
“Eu tive que levar para Manaus e deixar com a avó porque não tinha condição de ficar aqui. Tem vários relatos de crianças que passaram mal durante a noite e os amigos tiveram que socorrer. Agora de manhã também. Está muito difícil, muito complicado de conviver aqui com essa fumaça”, relatou.
Outro morador afirmou que muitas famílias não têm acesso a máscaras de proteção e cobrou apoio do poder público para atender as comunidades afetadas.
“A gente está se protegendo, mas muitos moradores não têm máscara. Ou seja, ficam ainda mais vulneráveis a essa situação. Conseguimos atender uma boa parte da população com doações de amigos, mas ainda falta muita gente. A gente pede que as secretarias municipal e estadual de Saúde olhem com carinho para essas áreas, porque já estamos no terceiro dia consecutivo dessa queimada”, disse.
Segundo o Corpo de Bombeiros, mais de 340 mil litros de água já foram usados na operação. Dez viaturas e 15 bombeiros seguem no local tentando conter os focos de incêndio.
Em entrevista à Rede Amazônica na sexta-feira (14), o comandante do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, afirmou que o combate é complexo devido às características do local e pode se prolongar por vários dias.

“É um combate difícil, que certamente durará alguns dias e, nesse intervalo, nós ainda temos gases sendo lançados na atmosfera e poluindo a atmosfera. A população mais atingida fica na cidade de Manaus e nas comunidades do entorno”, disse.
De acordo com o comandante, o incêndio é considerado crítico porque ocorre em profundidade, dentro da massa de resíduos acumulada ao longo dos anos no lixão.
“O incêndio no lixão aqui do Iranduba é um incêndio crítico porque é uma pilha de lixo que foi construída de forma desordenada e ele queima em profundidade. Então para que você tenha um combate efetivo você precisa fazer a remoção do lixo e o emprego de muita água com liquido gerador de espuma. É um componente que nós misturamos a água para que ele atinja a chama em profundidade”, explicou.
Segundo os bombeiros, o líquido gerador de espuma é usado junto com a água para alcançar focos que permanecem queimando abaixo da superfície dos resíduos, o que dificulta o controle do fogo.
As causas do incêndio ainda são desconhecidas.
Multa milionária
Em meio ao incêndio, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou, na sexta (14), uma multa de R$ 2,505 milhões à Prefeitura de Iranduba por poluição atmosférica causada pela queima de resíduos sólidos a céu aberto.
De acordo com o Ipaam, a multa tem como base a Lei Federal nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, e a Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais.
A Prefeitura de Iranduba tem prazo de 20 dias para efetuar o pagamento da multa, apresentar defesa administrativa ou manifestar interesse em um processo de conciliação.
“Durante a fiscalização, a equipe constatou a queima de resíduos a céu aberto, uma prática proibida pela legislação ambiental. A partir dessa constatação, o Instituto adotou as medidas administrativas previstas e seguirá acompanhando o cumprimento das obrigações ambientais relacionadas à área”, afirmou o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço.
O lixão de Iranduba acumula um histórico de irregularidades ambientais e é monitorado pelo instituto há pelo menos três anos por problemas relacionados à destinação de resíduos sólidos. Antes mesmo do incêndio registrado nesta semana, a área já havia sido alvo de autuações e multas ambientais.





