Para a aposentada Marquize Lassalva, de 70 anos, o Dia das Mães tem um significado diferente este ano. Depois de mais de duas décadas vivendo em área de risco de alagação na comunidade da Sharp, zona leste, ela agora celebra a data ao lado dos filhos e netos em um ambiente seguro, no Parque Residencial Maués, na zona sul, construído pelo Governo do Amazonas.
Assim como ela, outras 3 mil famílias já foram reassentadas de áreas de risco de alagação, pelo Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), executado pela Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), órgão da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb).
As famílias foram beneficiadas com unidades habitacionais e outras soluções de moradia, como indenização e Bônus Moradia (compra assistida), e hoje residem em locais seguros e com infraestrutura adequada. Até 2027, quando está prevista a conclusão do programa, a meta é reassentar mais 838 famílias.
Dignidade e segurança
“Meu maior sonho era eles terem um lugar digno para morar, viver em paz com os filhos deles. Quando chovia, a gente saía correndo para tentar salvar nossas coisas. Teve vezes que colocamos meu neto em cima de um colchão para não se molhar. A preocupação era ele cair na água”, relembra Marquize.
Filha de Marquize, Nara Lassalva, de 48 anos, também foi beneficiada pelo programa e mora no mesmo habitacional. Mãe de 4 filhos, ela recorda as dificuldades enfrentadas antes do reassentamento.
“A cada chuva e alagação, eu orava para que aquele cenário mudasse. A gente perdia tudo, depois tinha que limpar e começar de novo. Era muito triste. Eu falava para os meus filhos que um dia a gente sairia de lá e teria uma vida digna. E conseguimos”, contou.
Segundo o secretário da Sedurb, Júlio Langbeck, o Governo do Estado segue avançando na política habitacional com o Prosamin+ e o programa Amazonas Meu Lar. ”Além da entrega de moradias dignas, o programa também prioriza o registro das unidades habitacionais no nome das mulheres. A iniciativa garante mais segurança jurídica, proteção familiar e fortalecimento da autonomia feminina, especialmente para aquelas que são responsáveis pelo sustento da casa”, disse.
Langbeck destaca que, atualmente, outras 336 unidades habitacionais do programa estão em construção, sendo 176 na comunidade da Sharp e 160 no bairro Betânia.
Como parte das ações de reassentamento, foram entregues 32 unidades nos Parques Residenciais General Rodrigo Otávio, em 2023, e outras 72 no Maués, em 2025, ambas situadas na zona sul de Manaus.
Quem também comemora a mudança é a dona de casa Joelma Gomes, de 49 anos, que viveu por duas décadas na comunidade da Sharp. Para ela, este será o primeiro Dia das Mães em um lar seguro.
“Agora eu durmo tranquila. Quando começa a chover, eu não me preocupo mais. Antes, eu chorava com medo da água entrar em casa. Hoje, meus filhos têm onde brincar, e isso me faz muito feliz como mãe”, contou emocionada.





