A Tucum Brasil, plataforma especializado na comercialização de artes indígenas brasileiras, participou em Paris da segunda edição da Jornada Exportadora do Artesanato, promovida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
A empresa, que integra o portfólio da AMAZ Aceleradora, iniciativa coordenada pelo Idesam, foi uma das 20 selecionadas entre mais de 600 negócios inscritos no programa e também esteve entre as 10 iniciativas escolhidas para expor produtos no estande da ApexBrasil na Maison&Objet, realizada de 10 a 14 de setembro.
A participação marcou o segundo ano consecutivo da Tucum na Jornada Exportadora. Em 2025, a empresa integrou a edição realizada em Lisboa, em Portugal. Desta vez, a programação em Paris reuniu seminários sobre os mercados francês e europeu, visitas técnicas, rodadas de negócios com compradores internacionais e a participação na feira de design e decoração, considerada uma das maiores do setor no mundo.
Para a fundadora e gestora da Tucum, Amanda Santana, a experiência serviu não apenas para apresentar os produtos brasileiros a novos compradores, mas também para compreender melhor os caminhos e os desafios da internacionalização do artesanato indígena. Segundo ela, a empresa teve contato com mais de 15 potenciais compradores e lojistas, incluindo representantes da França, Grécia, Islândia, Reino Unido e Bélgica, além de brasileiros que mantêm negócios na Europa.
“Foi uma oportunidade tanto para a Tucum estabelecer contato e, de repente, fechar negócios em maior escala com esses compradores quanto para aprender também”, afirma Amanda.
A empresária destaca que um dos principais desafios para a Tucum está em fazer com que o comprador compreenda o valor e o modo de produção dos artigos indígenas. Ela explica que, diferentemente de modelos de manufatura nos quais o artesão pode dedicar várias horas seguidas por dia à produção, o artesanato indígena está integrado à rotina das comunidades e é produzido em meio a outras atividades, como os cuidados com a casa e com os filhos.
“Esse fazer acontece em determinados momentos que são separados para isso. Isso implica também na forma como a gente escala e na forma como a gente forma o preço”, explica.
A questão logística acrescenta outra camada de complexidade ao processo de exportação. Produtos confeccionados em territórios indígenas e comunidades localizadas em áreas remotas da Amazônia precisam percorrer diferentes etapas até chegar aos grandes centros brasileiros e, posteriormente, aos compradores internacionais. Para Amanda, compreender essas dificuldades e apresentá-las aos potenciais parceiros comerciais também faz parte do processo de internacionalização.
“Temos a complexa logística de retirar um produto de dentro da floresta para chegar ao Rio de Janeiro ou chegar em Manaus e depois ser despachado para outro país, em outra parte do mundo”, relata.

Primeira participação na Maison&Objet
Além da Jornada Exportadora, a Tucum participou pela primeira vez da Maison&Objet. A empresa foi uma das 10 selecionadas para integrar a exposição “Brasil Nostálgic”, no estande da ApexBrasil, com produtos escolhidos pelo curador Bruno Simões.
Para Amanda, a presença na feira representou a entrada da produção indígena comercializada pela Tucum em um novo circuito internacional. O evento reúne compradores ligados aos mercados de objetos, design e decoração, ampliando a possibilidade de contato com empresas interessadas em produtos brasileiros.
“Foi a primeira vez que a gente participou de uma feira dessas. Achei muito importante para a gente colocar o nosso produto nesse circuito”, afirma.
A empresa também recebeu uma Bolsa Exportação da ApexBrasil, no valor de R$ 20 mil, destinada a auxiliar a participação em outros eventos de promoção comercial organizados pela agência.
A delegação da Jornada Exportadora do Artesanato foi formada por 20 empresas, associações e cooperativas. Segundo Amanda, 95% dos participantes eram mulheres. Para ela, a presença feminina expressiva ajuda a revelar quem está à frente de uma parcela significativa da produção artesanal brasileira.

Artes indígenas e geração de renda
A Tucum foi fundada em 2013, no Rio de Janeiro, inicialmente com uma loja física. Dois anos depois, passou a operar como marketplace de arte indígena, comercializando roupas, bolsas, biojoias, peças de artesanato, pinturas, objetos de decoração e outros produtos produzidos por diferentes povos indígenas.
Atualmente, a empresa atua em quatro Unidades de Conservação e 56 Terras Indígenas distribuídas por oito estados da Amazônia Legal. A rede reúne associações, cooperativas, grupos e artistas indígenas de diferentes territórios.
Em 2024, a Tucum comprou R$ 538 mil em mercadorias, beneficiando artesãos e artesãs de 106 povos indígenas que vivem em 62 territórios tradicionais. Entre os povos parceiros estão Baniwa, Baré, Guarani, Kayapó, Ticuna e Yanomami.
A internacionalização, segundo Amanda, é parte de uma estratégia para ampliar os mercados para essa produção e, consequentemente, as possibilidades de geração de renda para as comunidades.
“Na nossa missão de valorizar e promover as artes indígenas do Brasil, a Tucum vê na exportação uma oportunidade de gerar mais renda e impactos positivos para as artistas que mantêm seu território com a floresta de pé”, afirma.
Para Amanda, a segunda participação na Jornada Exportadora também mostrou a evolução do próprio programa. Depois da experiência em Lisboa, a empresa chegou a Paris com novos aprendizados e encontrou compradores mais preparados para conhecer a produção brasileira. “Eu tenho certeza que ter participado dessa segunda jornada trouxe mais aprendizados e que a gente também teve contato com mais compradores, compradores mais qualificados. Acho que vão surgir bons negócios”, avalia.





