Uma operação política alinhavada no topo do poder em Brasília selou o futuro do setor elétrico no Amazonas. Sob o argumento de evitar o colapso no fornecimento e um apagão de grandes proporções em Manaus e no interior, uma aliança entre o Palácio do Planalto, a cúpula do PSD e lideranças influentes do MDB abriu caminho para que a Âmbar Energia — empresa do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista — assumisse a distribuidora local.
Em Manaus falta energia todo dia, e agora começou a pegar fogo as ligações, #sojesusnacausa.
O custo final dessa engenharia, no entanto, recai diretamente sobre o bolso do contribuinte e do consumidor de energia.
A arquitetura do socorro político
A engrenagem do negócio envolveu atores estratégicos da política nacional e estadual:
* O Executivo Federal (Lula/PT): Garantiu o respaldo normativo ao assinar a Medida Provisória 1.232, que flexibilizou exigências operacionais, perdoou multas e abriu espaço para a transferência do controle da concessionária sem a declaração de caducidade do contrato.
O Ministério de Minas e Energia e o PSD: Sob o comando do ministro Alexandre Silveira (PSD) e com forte articulação do senador Omar Aziz (PSD-AM), a pasta atuou como fiadora técnica da operação. O MME pressionou a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) para chancelar o plano da Âmbar, apontando a transferência privada como a única saída viável.
O MDB e a influência regional: O senador Eduardo Braga (MDB-AM) sustentou a defesa de soluções regulatórias para a crise tarifária e de abastecimento, consolidando a convergência entre os grupos políticos amazonenses em prol da transição.
Por que a conta sobrou para o usuário?
A Amazonas Energia acumulava um passivo bilionário decorrente de dívidas com fornecedores de combustíveis, incapacidade de investimentos e altos índices de perdas não técnicas — o furto de energia e os chamados “gatos”. Para atrair o grupo privado e viabilizar a compra, o arranjo institucional desenhado via MP e repasses do setor elétrico garantiu amortizações e flexibilizações contratuais.
Na prática, a combinação de reajustes tarifários ordinários aprovados pelos órgãos reguladores, o repasse legal das perdas históricas da rede e o financiamento de encargos setoriais (como a CDE) mantiveram a pressão sobre a tarifa local.
Enquanto a articulação em Brasília resolveu o impasse jurídico e financeiro das empresas envolvidas, a população do Amazonas passou a lidar com o peso de uma das tarifas mais elevadas do país, arcando com o custo de anos de sucateamento e das dívidas acumuladas no sistema elétrico do estado.
“O espaço segue aberto para que a Presidência da República (Governo Lula), o Ministério de Minas e Energia (MME), os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Eduardo Braga (MDB-AM), o ministro Alexandre Silveira, a direção da Âmbar Energia/Grupo J&F e a diretoria da ANEEL se manifestem acerca do arranjo regulatório, das decisões judiciais aplicadas e dos reflexos da transferência de controle sobre o cálculo tarifário e os encargos repassados ao consumidor. O conteúdo será atualizado assim que as respectivas assessorias de imprensa enviarem posicionamento oficial.”





