A miopia estratégica da SECOM do Governo Federal: O Brasil real foi esquecido.

A visita de Lula a Trump foi esquecida pela mídia paga pela Secom, o foco foi procurar treta e não divulgar o feito para tentar melhorar o ibope do presidente, por exemplo.

Sidônio Palmeira é o atual ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República no governo Lula, tendo assumido o cargo em janeiro de 2025

Diz o ditado que “quem não é visto, não é lembrado”. Mas, na atual gestão da comunicação oficial do Governo Federal, o ditado ganhou uma variante perversa: gasta-se bilhões para ser visto pelos mesmos de sempre, enquanto se ignora quem realmente fala com o Brasil profundo. A estratégia da SECOM não é apenas elitista; ela é, tecnicamente falando, anacrônica e ineficiente.

Enquanto o Presidente da República cumpre agendas internacionais de peso — como o recente encontro de mais de duas horas com Donald Trump nos EUA, que exigia uma narrativa de pragmatismo e soberania — o que vemos na ponta? Um vácuo. Ou pior: a notícia mastigada e filtrada pelos grandes grupos de mídia que, ironicamente, são os maiores beneficiários dos recursos públicos, mas nem sempre os maiores aliados da transparência informativa.

O abismo dos critérios

A lógica da SECOM parece ter parado em 2003. Continua-se operando sob o vício do “alcance de massa” em detrimento da efetividade da mensagem. É administrativamente cômodo para um gestor em Brasília assinar contratos vultuosos com o Grupo Globo, o UOL ou a CNN. É o que chamam de “zona de conforto da mídia”.

Por outro lado, o que vemos para a mídia regional é uma política de migalhas. Destinar valores simbólicos, na casa dos R$ 3 mil, para portais que sustentam o jornalismo diário no Amazonas, no interior de São Paulo ou no Paraná, não é política pública de comunicação: é o sufocamento da pluralidade. Como exigir profissionalismo e combate às fake news se o governo trata a mídia digital independente como figurante no orçamento da União?

Guerra Digital se vence na Capilaridade

Vivemos tempos de guerra digital e desintermediação. A opinião pública hoje é moldada nos portais de notícias locais e pelos influenciadores regionais que possuem o que a grande mídia perdeu: identidade e confiança territorial.

Ao marginalizar as “verdadeiras mídias digitais”, a SECOM comete um erro primário de inteligência. Se o governo não alimenta a base com dados, exclusivas e investimento digno, ele entrega o território de mãos beijadas para as narrativas paralelas. É uma falha de estratégia que beira a negligência política.

O erro de Gestão

A comunicação oficial é tecnicamente míope porque ignora o custo-benefício. O impacto de pulverizar a verba em mil portais regionais — que falam diretamente com o eleitor e o cidadão comum — é infinitamente superior à concentração em cinco ou seis grandes CNPJs que falam para a bolha da Avenida Paulista.

O resultado é um governo que realiza o encontro, mas não domina a repercussão. A imprensa “alimentada” pela SECOM faz o básico, enquanto a mídia digital independente, que deveria ser o pilar da democratização da informação, é ignorada pela burocracia de Brasília.

A SECOM precisa entender que o Brasil é um continente, não um estúdio de TV no Rio de Janeiro. Enquanto não houver uma descentralização real e técnica dos recursos, a comunicação pública continuará sendo um monólogo caro, ineficiente e, acima de tudo, desligado da realidade do povo brasileiro.

No Amazonas, senhora Secom, a população dispõe de mais de 400 veículos de mídia. E uma coisa é certa: a grande mídia não está incluída nesse número.

Texto: Ronaldo Aleixo.

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