Acusado de receber R$ 153 milhões de Vorcaro, Alcolumbre e ministro de Lula usaram jato da FAB para curtir Festival de Parintins as custas do povo.

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), parece viver em uma realidade paralela à do cidadão comum, onde os recursos do Estado servem ao lazer e o submundo das finanças dita o ritmo do poder. Duas denúncias graves recolocam o parlamentar no centro do debate sobre a ética na República: a reincidência na farra dos jatos da Força Aérea Brasileira (FAB) e uma acusação bilionária de propina internacional.

Farra no céu: Jato da FAB vira “táxi da folia” para Parintins

No fim de junho, Alcolumbre voltou a transformar uma aeronave oficial da FAB em transporte particular de luxo. O destino? O Festival de Parintins, no Amazonas.

Desta vez, o senador levou uma comitiva de 12 passageiros, incluindo o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira — seu correligionário no União Brasil.

  • O Itinerário: O jato decolou de Brasília na manhã de 26 de junho para Manaus e seguiu para Parintins. O retorno ocorreu em 29 de junho.
  • Segredo de Estado: Para tentar blindar os amigos, os nomes dos outros 10 passageiros foram mantidos em sigredo. A mordomia só veio a público porque o senador Omar Aziz (PSD-AM) postou fotos da recepção nas redes sociais.
  • Hábito antigo: Esta é a segunda vez que Alcolumbre faz o trajeto da folia com asas oficiais. Em 2025, ele já havia levado o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o então presidente do STF, Luís Roberto Barroso, para o mesmo festival.

Confrontados, Alcolumbre alegou “razões de segurança”, e o ministro das Comunicações chamou o privilégio de “aproveitamento de vaga remanescente”. Na prática, burlam o decreto de 2020 que restringe os voos a emergências ou missões oficiais.

A Bomba de US$ 30 milhões: A sombra do Banco Master

Se a farra aérea expõe a arrogância do poder, as investigações criminais revelam algo muito mais profundo. Alcolumbre foi acusado de receber uma bolada de US$ 30 milhões (cerca de R$ 153 milhões) do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

A denúncia, revelada pela revista Veja, aponta que o suborno teria sido depositado em uma conta secreta no exterior, intermediada por Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro. O objetivo seria garantir a influência de Alcolumbre em pautas de interesse do banco no Congresso.

  • Delação Rejeitada: A acusação constava na proposta de delação premiada de Vorcaro, preso na Operação Compliance Zero por fraudes financeiras. A Polícia Federal, no entanto, rejeitou o acordo pela segunda vez por falta de provas materiais robustas que sustentassem o depoimento.
  • Teia de Influência: O esquema de Vorcaro em Brasília também respinga em outros caciques, como o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que tiveram diárias em hotéis de luxo em Lisboa pagas pelo ex-banqueiro.

O Contra-ataque e o silêncio

Da tribuna do Senado, Alcolumbre esbravejou. Classificou a reportagem como uma “tentativa de calúnia” e prometeu processar Vorcaro nas esferas cível e criminal, negando a existência de qualquer conta fora do país.

O que o Chumbo Grosso diz: Seja voando alto com o dinheiro do povo para ver festival folclórico, seja navegando nas águas turvas de delações premiadas de banqueiros presos, a cúpula de Brasília mostra que opera em um ecossistema próprio. A PF continua fechando o cerco contra a rede do Banco Master. Quem tiver conta secreta, que bote as barbas de molho.

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