BILHÕES EM DÍVIDAS: Renato Jr insiste em novo empréstimo de R$ 620 milhões após recuo do Banco do Brasil, mas precisa do aval do Governo Federal.

A oposição deve protocolar denúncias junto ao TRE-AM e ao MP-AM devido ao período pré-eleitoral e ao uso da máquina pública em apoio a David Almeida.

David Almeida teve o mesmo pedido recusado.

MANAUS (AM) – A gestão municipal de Manaus iniciou uma nova ofensiva para tentar destravar recursos milionários junto ao Governo Federal. Na última quinta-feira (9), a prefeitura protocolou um novo pedido de aval da União para contratar um empréstimo de R$ 620 milhões com o Banco do Brasil. Esta é a segunda tentativa em menos de um mês, após o Tesouro Nacional arquivar a proposta anterior de R$ 650 milhões.

O “Cheque em Branco” de R$ 2,5 Bilhões

O novo pedido se sustenta na polêmica Lei Municipal nº 3.478/2025, aprovada pela maioria dos vereadores na Câmara Municipal de Manaus (CMM). A norma funciona como uma espécie de “autorização prévia”, permitindo que o prefeito realize quantos empréstimos quiser até o limite de R$ 2,5 bilhões até 2028, sem a necessidade de voltar ao plenário para novas votações.

Para onde vai o dinheiro?

Apesar da magnitude do valor, o detalhamento das obras ainda é vago. Segundo o documento apresentado:

  • R$ 585 milhões: Destinados genericamente à “infraestrutura”.
  • R$ 35 milhões: Para a “modernização da gestão fazendária” (compra de equipamentos e capacitação).

O Secretário de Finanças, Clécio Freire, justificou a escolha pelo Banco do Brasil em detrimento da Caixa Econômica alegando que a Caixa exigia o uso dos recursos em apenas 180 dias — prazo considerado curto demais diante da burocracia de licitações.

 

A Conta para o Povo: Juros de Quase Meio Bilhão

A facilidade de acesso ao crédito esconde um custo pesado para as próximas gestões e para o cidadão manauara. A operação, que deve ser paga entre 2026 e 2036, possui as seguintes projeções financeiras:

  • Principal: R$ 620.000.000,00
  • Juros e Taxas: R$ 438.000.000,00 (estimados)
  • Dívida Total: R$ 1.058.000.000,00

Isso significa que, para cada real emprestado, o município pagará quase o dobro ao final de dez anos.

O Histórico de Impasses

No dia 6 de abril, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) arquivou o pedido anterior após o Banco do Brasil comunicar falta de interesse na operação naquele momento. A prefeitura nega desistência e afirma que o novo pedido de R$ 620 milhões já contempla os “ajustes técnicos pontuais” exigidos para que a União dê a garantia necessária ao contrato.

Xadrez Político: O Olho no Palácio da Compensa

Nos bastidores, a pressa para garantir o aporte de R$ 620 milhões é lida como o combustível necessário para pavimentar as pretensões eleitorais de 2026. Com a máquina municipal fechada em torno do nome de David Almeida para a disputa ao Governo do Estado, a estratégia é clara: transformar o crédito bilionário em um canteiro de obras sem precedentes na capital. Ao acelerar entregas de infraestrutura agora, a gestão busca consolidar Manaus como uma vitrine inabalável para o salto rumo ao Executivo Estadual, ainda que o preço seja uma dívida estendida por dez anos. Resta saber se o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) e o Ministério Público estarão atentos ao uso desses recursos vultosos, garantindo que o direito de realizar melhorias na cidade não se transforme em uma antecipação de campanha desequilibrada, ferindo a paridade de armas no pleito que se aproxima.

ANÁLISE CHUMBO GROSSO: O endividamento de Manaus em mais de R$ 1 bilhão (considerando os juros) em um período de transição política acende o alerta sobre a responsabilidade fiscal. Sem uma lista detalhada de quais ruas serão asfaltadas ou quais pontes serão erguidas, o contribuinte fica “no escuro” sobre o real benefício de uma dívida que será paga pelas próximas três gestões municipais.

Fique ligado no Portal para acompanhar se o Tesouro Nacional dará o sinal verde ou se Manaus terá mais um revés financeiro em Brasília.

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