Na reta final da campanha eleitoral, a coerência e o compromisso público da Prefeitura de Manaus foram varridos para debaixo do tapete. O cenário registrado no Centro Histórico de Manaus, no entorno do Teatro Amazonas e no Largo de São Sebastião após a manifestação do PT, na véspera do segundo turno, foi de puro descalabro: calçadas tomadas por montanhas de copos plásticos, embalagens, panfletos, resíduos espalhados e até monumentos pichados.
No entanto, o tom que ecoou da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) e da cúpula da gestão municipal foi o de um silêncio ensurdecedor.
A memória seletiva e a demagogia dos gestores
É impossível não lembrar o espetáculo montado no final de setembro, quando o secretário Sabá Reis e o prefeito Renato Jr. vieram a público gravar vídeos com discursos inflamados contra a sujeira deixada por um evento do candidato opositor Roberto Cidade na Avenida do Turismo. Naquela ocasião, bradaram no tom mais alto: acusaram a oposição de descaso, cobraram ressarcimento aos cofres públicos e indignaram-se contra o deslocamento de equipes de garis.
A pergunta que fica é cristalina: por que a indignação com a sujeira tem lado político?
Quando o descarte irregular e o rastro de imundície são provocados pela militância esquerdista do candidato apoiado pela atual gestão, o discurso feroz da prefeitura milagrosamente desaparece. Não há vídeos revoltados, não há posts nas redes sociais e nem cobranças públicas. A bravura contra os opositores dá lugar a uma passividade inexplicável diante da lambança promovida no coração da nossa cidade.
O patrimônio de Manaus não tem partido
O patrimônio histórico da capital, em especial o entorno do Teatro Amazonas, amanheceu abandonado e violentado pela sujeira enquanto a população iniciava o dia. O cidadão manauara, que paga seus impostos para ver a cidade limpa e preservada, assiste atônito a essa flagrante política de dois pesos e duas medidas.
Tratar a limpeza pública e a ordem urbana com parcialidade eleitoral é uma afronta ao povo. Quem se diz defensor de Manaus não pode usar a máquina pública para vociferar contra uns e fechar os olhos para os desmandos de outros. O patrimônio da nossa capital pertence a todos, e o respeito à cidade deve ser cobrado sem distinção de bandeira partidária.





