Invasão alienígena ou crise de mau humor? Hacker “gaiato e do Pará” usa Defesa Civil para espalhar “misantropia” e ETs pelo Brasil

Uma grave brecha de segurança colocou em xeque o sistema de alertas de emergência do Governo Federal. Duas contas vinculadas à Defesa Civil do Pará foram invadidas e utilizadas para disparar dez alertas públicos falsos entre a noite da última sexta-feira e a madrugada de sábado. As mensagens, classificadas no nível máximo de gravidade (“extremo”), miraram seis capitais, três estados e o Distrito Federal, provocando perplexidade e acendendo o sinal de alerta nas autoridades de segurança cibernética.

A gravidade do ataque consta em um documento oficial do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional enviado à Polícia Federal. De acordo com a investigação técnica, os criminosos conseguiram “acesso indevido” à Interface de Divulgação de Alertas Públicos (IDAP), plataforma oficial usada para avisar a população em casos de catástrofes reais.

Invasão contornou bloqueio e operou sem limites territoriais

O ataque começou por volta das 23h41 de sexta-feira. Assim que os primeiros disparos foram identificados, a equipe técnica do ministério agiu rápido e bloqueou a conta do operador paraense. No entanto, a contenção não foi suficiente: na madrugada de sábado, entre 1h20 e 1h23, os invasores utilizaram uma segunda credencial, também da Defesa Civil do Pará, para dar sequência aos ataques.

O que mais impressionou os investigadores foi o fato de que, mesmo com perfis restritos ao estado do Pará, as credenciais foram manipuladas para burlar o bloqueio geográfico do sistema, permitindo o envio de mensagens para o Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país.

Mentiras de “ataque alienígena” e termos enigmáticos

Ao todo, nove alertas foram transmitidos via sistema Defesa Civil Alerta (que faz o celular vibrar e soar o alarme mesmo em modo silencioso) e um por SMS. Os falsos avisos simulavam desastres como tornados, alagamentos e deslizamentos em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba e Rio Branco.

O conteúdo das mensagens, contudo, escancarou o teor golpista e a nítida intenção de tumultuar. Em Belo Horizonte, o alerta enviado por SMS afirmava que a capital mineira sofria um “ataque alienígena” — uma piada de extremo mau gosto que logo repercutiu e viralizou nas redes sociais. Nos demais disparos, os invasores utilizaram palavras enigmáticas e variações com números, como “misantropia” (termo que significa aversão à humanidade).

Até o momento, os indícios apontam para a ação de um “gaiato” cibernético com conhecimento técnico, operando a partir do Pará para expor a vulnerabilidade do sistema nacional. A Polícia Federal já está em posse dos logs de acesso e investiga a autoria do ataque para identificar os responsáveis pela invasão e pelo pânico simulado.

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