MONUMENTO DA PONTE: A obra inútil de R$ 5,5 milhões de Eduardo Braga que virou denúncia de Marcelo Ramos, hoje quase aliados e pré-candidatos ao Senado com apoio de Lula.

A história política do Amazonas guarda capítulos de intensa rivalidade e, contraditoriamente, de alianças pragmáticas entre duas de suas figuras mais expressivas: o ex-deputado Marcelo Ramos e o senador Eduardo Braga. Entre denúncias de improbidade administrativa e o amargor de derrotas nas urnas, a trajetória de ambos ilustra a complexa dinâmica das composições partidárias no estado.

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No passado, Marcelo Ramos figurou como um dos principais opositores da gestão de Eduardo Braga. Ao lado dos então deputados Luiz Castro e José Ricardo, Ramos moveu uma Ação Civil Pública contra o ex-governador, a secretária de Infraestrutura Valdivia Alencar e a Construtora Etam. O motivo foi a construção do monumento em homenagem à Ponte Rio Negro, localizado na Avenida Brasil, no bairro da Compensa em Manaus.

A obra, orçada em aproximadamente R$ 5,5 milhões, foi classificada como “inútil” pelos parlamentares. A denúncia foi acolhida pelo Ministério Público do Estado (MP-AM). Em parecer emitido pela promotora Silvana Nobre de Lima Cabral, o órgão identificou indícios de improbidade administrativa, recomendando a abertura de processo e a devolução integral dos valores aos cofres públicos.

O caso seguiu para a análise do juiz Ronnie Frank Torres Stone, da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual, responsável por julgar se houve de fato dano ao erário ou se a defesa de Braga comprovaria a legalidade do monumento — uma vez que o parecer do MP não vincula a decisão final do magistrado.

Ação envolve custo da obra do monumento dedicado à Ponte sobre o Rio Negro, construído no governo de Eduardo Braga (Foto: Google/Reprodução)

A Aliança de 2017: “Saí Menor do que Entrei”

Apesar do histórico de embates, a política amazonense desenhou um cenário surpreendente em 2017, durante a eleição suplementar para o governo do estado. Pressionado pelas costuras partidárias, Marcelo Ramos aceitou o posto de candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Eduardo Braga. A decisão, contudo, resultou em derrota nas urnas e em forte desgaste político para Ramos.

Em entrevista, o ex-deputado admitiu publicamente o erro da estratégia:

“Não dá para negar o óbvio. Eu saí do processo eleitoral menor do que entrei. Não importam as minhas boas intenções em 2017. Importa é que o povo não entendeu. E se o povo não entendeu, a decisão foi errada.”

Ramos justificou que a composição foi uma imposição de seu partido à época, o PR (atual PL), que priorizava o projeto político de 2018 para o Senado. Segundo ele, o sistema eleitoral o encurralou entre ser vice de Braga ou ficar fora do pleito.

“Fui impulsionado por um excesso de autoconfiança e pela recusa em ser omisso”, desabafou o político, apontando ainda que as forças tradicionais do estado se uniram para tirá-lo da disputa majoritária principal, empurrando o segundo turno daquele ano entre Amazonino Mendes e Eduardo Braga.

Novo Cenário em 2026

Anos após o erro confessado e as disputas judiciais, os caminhos de Marcelo Ramos e Eduardo Braga voltam a se cruzar sob os holofotes nacionais. Ambos são cotados nos bastidores como possíveis candidatos ao Senado com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Resta saber se o eleitorado amazonense priorizará a antiga rivalidade do “Monumento da Ponte” ou as novas convergências do tabuleiro político.

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