Salazar e Rosses vão ajudar Maria ou continuarão amigáveis com Omar Aziz?

Salazar era um leão com Cidade e Wilson Lima, mas poupou o líder do PSD; a chapa do PL no Amazonas agora tenta desatar o nó tático do 2º turno

Imagem feita por IA/Cobras da Direita.

Por Redação / Análise Política – O cenário eleitoral no Amazonas ruma para um segundo turno decisivo, mas os bastidores revelam um nó tático de difícil desatar. De um lado, a candidatura da Professora Maria do Carmo (PL) celebra o desempenho competitivo na capital; do outro, depara-se com a baixa votação no interior do estado e com as cicatrizes profundas deixadas pelo “fogo amigo” do deputado federal eleito Sargento Salazar (PL) e do vereador Rosses (PL).

Para tentar reverter a vantagem de Omar Aziz (PSD), a chapa do PL precisa indispensavelmente do eleitorado e do apoio político de Roberto Cidade (União Brasil) e do governador Wilson Lima. No entanto, o histórico de confrontos levanta uma dúvida crucial nos bastidores: Salazar e Rosses vão somar forças para ajudar Maria ou continuarão amigáveis com Omar Aziz?

O Abismo no Interior: Hegemonia de Omar Aziz e Fragilidade do PL

Enquanto na capital o cenário registrou relativo equilíbrio, a apuração nos 61 municípios do interior desenhou uma distância expressiva entre o líder da disputa e seus concorrentes. Subtraídos os votos de Manaus, os dados do primeiro turno evidenciam a força da estrutura do PSD no interior do estado.

Resultado do 1º Turno no Interior (Excluindo Manaus)

Total de votos válidos no interior: 944.020 votos

CandidatoPartidoPercentualVotos Absolutos
Omar AzizPSD51,61%487.182
Roberto CidadeUNIÃO27,10%255.785
Professora Maria do CarmoPL14,44%136.327
David AlmeidaAVANTE6,20%58.543
Cabo DacioloMOBILIZA0,40%3.783
Isael MundurukuREDE0,22%2.100
Gilberto VasconcelosPSTU0,03%300

Ao conquistar 51,61% dos votos válidos fora da capital, Omar Aziz garantiu a maioria absoluta no interior. Em contrapartida, Maria do Carmo amargou a terceira colocação, somando apenas 14,44% da preferência (136.327 votos). A segunda maior força da região foi Roberto Cidade, que obteve 27,10% (255.785 votos).

Os números expõem a urgência da chapa do PL em construir pontes com o União Brasil. Sem absorver a votação expressiva do eleitorado de Roberto Cidade no interior, a busca pela virada no segundo turno torna-se uma tarefa quase inalcançável.

As Marcas do “Fogo Amigo”: O Leão Contra a Direita Local

A construção dessa aliança, contudo, esbarra na atuação polêmica de Sargento Salazar (PL). Embora tenha alcançado votação consagradora de mais de 200 mil votos para a Câmara dos Deputados, a postura do parlamentar ao longo da campanha provocou fraturas no próprio campo conservador.

Durante o primeiro turno, Salazar comportou-se como um verdadeiro “leão” contra potenciais aliados da direita:

  • Ataques a Wilson Lima: Na tribuna da Câmara Municipal de Manaus e em agendas públicas, Salazar referiu-se abertamente ao governador com termos pejorativos e acusatórios, desconsiderando alianças articuladas por lideranças de seu próprio partido.
  • Ofensas e desgaste digital: A campanha do parlamentar foi marcada pela atribuição de apelidos ofensivos e pela veiculação de vídeos agressivos direcionados a Roberto Cidade, Wilson Lima e David Almeida.
  • Uso de IA e sanções da Justiça Eleitoral: O ápice do confronto deu-se com a publicação de vídeos manipulados por Inteligência Artificial nas redes sociais simulando ameaças a adversários. A prática levou o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) a determinar a remoção imediata dos conteúdos sob pena de multa.

Em resposta às agressões, Roberto Cidade reavaliou publicamente a postura do colega de parlamento, classificando suas atitudes como “ato de descontrole” e “pirotecnia de redes sociais”, sem apresentação de propostas concretas para o estado.

A “Dobradinha” com Rosses e a Benevolência com Omar Aziz

Outro ponto de forte tensão nos bastidores políticos gira em torno da postura adotada por Sargento Salazar e pelo vereador Rosses (PL) durante o primeiro turno. Críticos e analistas apontam que o deputado — apelidado no meio político de “revoltado sem farda” — atuou em uma autêntica “dobradinha” com Rosses para direcionar suas baterias exclusivamente contra figuras da direita local, poupando integralmente a candidatura de Omar Aziz.

“Salazar era um leão feroz com Cidade e Wilson Lima, mas Salazar e Rosses fizeram campanha sem criticar Omar Aziz em nada. A atuação conjunta acabou funcionando como uma linha auxiliar para pavimentar a liderança do PSD no estado.”

— Ronaldo Aleixo, comentarista político do Portal Chumbo Grosso.

A postura amigável da dupla em relação ao senador alimentou especulações e ironias nos bastidores políticos, onde se comenta, de forma sarcástica, que Salazar e Rosses “trabalharam para Omar” e que o deputado faria jus até ao comando da Secretaria de Segurança Pública em uma eventual gestão do líder do PSD.

O Impasse Tático no Segundo Turno

A principal dúvida em torno da candidatura da Professora Maria do Carmo é a viabilidade de um apoio formal de Roberto Cidade e Wilson Lima diante do ressentimento acumulado. Como pontuou Ronaldo Aleixo, mesmo que Salazar e Rosses adotem o silêncio nesta nova etapa, os episódios anteriores permanecem consolidados na memória do eleitorado e das lideranças atingidas.

O desafio da Professora Maria do Carmo desenha-se duplo:

Conter os danos internos: Definir se Salazar e Rosses vão mudar de postura para ajudar ativamente sua chapa ou se continuarão em neutralidade amigável com Omar Aziz;

Conquistar o interior: Convencer o eleitorado fora da capital — hoje alinhado predominantemente a Omar Aziz e Roberto Cidade — de que sua candidatura representa um projeto político viável e unificado.

O desfecho dessas articulações e o posicionamento real de suas lideranças radicais definirão os rumos da disputa pelo governo amazonense.

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