Por que a categoria não responde aos chamados de mobilização? Porque a malversação do erário corrói a esperança. A precariedade nas escolas e o abandono dos alunos vão drenando a energia de quem sempre lutou. Precisamos entender que a divisão da categoria e o osso silêncio é o combustível da injustiça. Mobilizar-nos não é mais uma opção política; é legítima defesa contra o descaso na educação.
Minha caminhada nos movimentos sociais, no parlamento municipal e os poucos mas intensos meses como adjunto da SEDUC-AM me permitem afirmar: o que vivemos é um colapso moral sem precedentes. Fatos que antes ocorriam nos bastidores hoje explodem no TCE-AM, com denúncias gravíssimas contra o ex-secretário Luiz Fabian por relações promíscuas com fornecedores e contratos bilionários sem licitação. Enquanto cifras astronômicas circulam em luxuosos gabinetes, alunos assistem a aulas em prédios deteriorados e até sentados no chão; professores sofrem com o confisco de direitos e aposentados veem seu futuro ameaçado por desvios na Amazonprev.
Esta luta está longe de ser por votos — é por dignidade, verdade e justiça. Por isso, abro mão de qualquer candidatura para colaborar na luta com independência e sem as amarras dos jogos politiqueiros. Busco justiça para que o dinheiro da educação chegue, integralmente, onde ele é sagrado: no chão da sala de aula.
Precisamos que a caixa-preta da SEDUC seja quebrada, do contrário nunca teremos reajuste salarial digno ou o cumprimento real da data-base. Enquanto a malversação imperar, o sonho de escolas modernas — com segurança, bibliotecas, quadras, laboratórios e centros de mídias — será apenas propaganda.
Em 2019, ao deixar a SEDUC, já defendia uma investigação profunda da Polícia Federal. Reitero agora: é urgente que os representantes legais se unam e requeiram uma auditoria federal nos dois mandatos do governo Wilson Lima. Na hipótese de os sindicatos tergiversarem sobre a necessária unidade, somemos forças aos movimentos sociais. Coloco-me à disposição desta frente para garantir que a educação deixe de ser moeda de troca e volte a ser respeitada.
Pela transparência que a nossa história exige e pelo respeito que nossos alunos merecem: Polícia Federal na SEDUC já. Pela verdade e justiça, doa a quem doer!
Bibiano Filho é professor da rede pública, filósofo e militante de movimento social e pastoral em defesa da ecologia integral e da educação pública de qualidade.





