Manaus 357 anos: é necessário planejamento urbano sustentável para o futuro da capital

Arquiteta e urbanista destaca a importância de preservar o patrimônio histórico, reduzir desigualdades e adaptar o desenvolvimento da cidade às particularidades da Amazônia

Manaus completa 357 anos no dia 24 de outubro, celebrando uma história marcada pela diversidade cultural, pela riqueza do patrimônio histórico e pela relação singular com a floresta amazônica. Além de reconhecer as conquistas da capital amazonense, a data também convida à reflexão sobre os desafios do desenvolvimento urbano e a necessidade de construir uma cidade mais sustentável, inclusiva e preparada para o futuro.

Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, professora, conselheira e vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), no triênio 2024–2026, o aniversário da capital é uma oportunidade para discutir caminhos que conciliem crescimento econômico, preservação ambiental e qualidade de vida para a população.

Com trajetória profissional iniciada em 1993, na área do patrimônio cultural, Melissa destaca que Manaus passou por profundas transformações ao longo de sua história. O ciclo da borracha contribuiu para a expansão da cidade e a formação de um importante patrimônio arquitetônico, enquanto a implantação da Zona Franca ampliou sua relevância econômica e intensificou o processo de urbanização.

Apesar dessas conquistas, o crescimento também evidenciou problemas relacionados ao saneamento básico, à mobilidade urbana, à habitação e à preservação ambiental. Para a especialista, o desenvolvimento econômico precisa ser acompanhado de planejamento e políticas públicas que garantam melhores condições de vida aos moradores.

“Não precisamos adaptar a Amazônia a modelos de cidade; precisamos adaptar o planejamento à realidade amazônica”, defende Melissa, ressaltando a importância de soluções compatíveis com os rios, o clima, a floresta e a diversidade sociocultural da região.

Planejamento para enfrentar os desafios urbanos

Entre as prioridades para Manaus, a arquiteta aponta a prevenção de alagamentos, a ampliação da arborização, a proteção dos igarapés e a recuperação de áreas degradadas. Ela também destaca a necessidade de preparar a cidade para os efeitos das mudanças climáticas, considerando os períodos de estiagem, as temperaturas elevadas e os impactos da fumaça provocada pelas queimadas.

Outro desafio é reduzir as desigualdades territoriais, ampliando o acesso à habitação digna, à infraestrutura e aos serviços públicos. Na mobilidade, Melissa defende a integração entre transporte coletivo, circulação de pedestres, ciclovias e acessibilidade, com foco nas necessidades cotidianas da população.

Para ela, é fundamental que Manaus avance de uma atuação concentrada em medidas emergenciais para uma política urbana preventiva e integrada. Isso significa planejar a expansão da cidade, identificar áreas de risco, orientar os investimentos e articular ações de habitação, saneamento, mobilidade e meio ambiente.

A preservação do patrimônio histórico, especialmente no Centro de Manaus, também deve fazer parte dessa agenda. Segundo a arquiteta, conservar a memória da capital vai além de proteger edificações antigas: é necessário recuperar imóveis, valorizar os espaços públicos e manter esses ambientes vivos e acessíveis à população.

Melissa ressalta ainda que o planejamento precisa estar vinculado ao orçamento público, a metas e a mecanismos de acompanhamento, além de contar com a participação dos moradores, das universidades e das entidades profissionais nas decisões sobre o futuro da cidade.

Um futuro à altura da história de Manaus

Ao celebrar os 357 anos da capital amazonense, Melissa Toledo defende que reconhecer a história da cidade também significa enfrentar suas fragilidades e valorizar suas potencialidades. Para ela, a riqueza ambiental, cultural e econômica de Manaus precisa se traduzir em benefícios concretos para quem vive na capital.

A construção desse futuro exige continuidade administrativa, capacidade técnica, cooperação institucional e decisões orientadas pelo interesse coletivo. Mais do que grandes obras, a cidade precisa de planejamento permanente, prevenção de riscos e políticas públicas capazes de responder às particularidades do território amazônico.

“Amar Manaus também significa reconhecer suas fragilidades, defender suas potencialidades e assumir a responsabilidade de transformá-la”, afirma a arquiteta.

Neste aniversário, a reflexão proposta por Melissa é que Manaus avance para um modelo de desenvolvimento urbano sustentável, democrático e socialmente justo, preservando sua memória, protegendo o patrimônio natural e garantindo melhores condições de vida à população.

Aos 357 anos, Manaus celebra sua história e renova o desafio de planejar o presente para construir uma cidade melhor para as próximas gerações.

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