MANAUS (AM) — O clima esquentou de vez e os bastidores do Poder Judiciário amazonense estão em polvorosa. Uma verdadeira “operação limpa” resultou na demissão sumária de 36 funcionários do Cartório Extrajudicial do 6.º Ofício de Registro de Imóveis de Manaus, localizado na Avenida Djalma Batista. Os trabalhadores foram barrados na entrada do prédio e impedidos de exercer suas funções, gerando um protesto imediato na porta da serventia.
A crise é o desdobramento de uma intervenção iniciada em abril deste ano, quando a Corregedoria-Geral de Justiça (CGJ-AM) afastou cautelarmente o titular da unidade, Aníbal Fraga de Resende Chaves, por um período de 90 dias, nomeando Fabiana Souza Mota como interventora.
O motivo por trás do afastamento do titular envolve uma polêmica transação imobiliária no bairro Novo Aleixo. A apuração aponta que um ex-vereador de Manaus (com mandato entre 2017 e 2020) teria dado sua residência como garantia em um empréstimo de R$ 150 mil. Um empresário do ramo de construção tentou transferir o imóvel para o seu nome através de uma usucapião extrajudicial, mas o ex-parlamentar alegou fraude e falta de notificação válida por parte do cartório, disparando a investigação por “graves indícios de irregularidades”.
Clamor das ruas: Trabalhadores denunciam assédio moral e ordens suspeitas
Na manhã desta quarta-feira, o cenário na porta do cartório era de revolta. Os 36 funcionários demitidos acusam a interventora de promover um ambiente de severo assédio moral, pressão psicológica e atrasos salariais que provocaram crises de ansiedade coletivas na equipe.
Mais grave ainda: em relatos que ecoaram nas redes sociais, ex-colaboradores afirmam que vinham recebendo ordens para executar procedimentos supostamente irregulares e duvidosos internamente. Quem se recusou a compactuar com as supostas práticas teria sofrido retaliação direta. Usuários da internet também denunciaram a presença e a atuação de advogados trabalhando dentro do cartório, exercendo atividades que seriam legalmente incompatíveis com a função na serventia.
O reflexo direto dessa desorganização administrativa já é sentido pela população de Manaus, que enfrenta atrasos significativos na liberação de escrituras, falta de respostas aos usuários e uma paralisia no atendimento eficiente.
O contra-ataque da Justiça: Corregedoria alega “motim” e abandono de posto
Diante do barulho provocado pelo protesto e pela enxurrada de críticas nas redes sociais, o Corregedor-Geral de Justiça do Amazonas, Desembargador José Hamilton Saraiva dos Santos, emitiu uma Nota Oficial à Imprensa defendendo a intervenção e justificando o “passando a limpo” na folha do cartório.
Segundo a versão do magistrado, as demissões em massa ocorreram porque houve um “abandono coordenado dos postos de trabalho” por parte dos funcionários, o que teria gerado uma grave crise de governabilidade interna e resistência às ordens legítimas da interventora. A Corregedoria reforça que os fatos e as investigações sobre as irregularidades tramitam sob estrito segredo de justiça e que as medidas administrativas servem para recompor a capacidade de atendimento ao cidadão.
Espaço Aberto / Direito de Resposta
Em estrito respeito aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do jornalismo ético, técnico e responsável praticado por este veículo, o portal Chumbo Grosso deixa este espaço integralmente aberto para que a interventora Fabiana Souza Mota, a direção da Corregedoria-Geral de Justiça (CGJ-AM) e os representantes dos servidores demitidos apresentem formalmente suas notas de esclarecimento e defesas.
O jornalismo do Chumbo Grosso segue acompanhando de perto o desenrolar deste caso, e esta matéria será atualizada assim que novos posicionamentos oficiais forem enviados à nossa redação.





