O portal Chumbo Grosso traz novos detalhes sobre a estratégia de “guerrilha digital” que movimenta os bastidores políticos do Amazonas. Nesta quinta-feira, 9 de abril, o portal Rios de Notícias — braço digital da Rede Rios de Comunicação, de propriedade da empresária e pré-candidata Maria do Carmo Seffair — publicou conteúdo do vereador Sargento Salazar (PL) com ataques diretos à gestão do prefeito Renato Junior (Avante).
A Manobra: O “Braço de Mídia” a Serviço da Crítica
A postagem utiliza imagens do vereador na rua Raimundo Maia (Parque São Pedro) para cobrar a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf). Embora travestida de cobrança parlamentar, a veiculação do conteúdo em um portal de notícias que pertence a uma candidata ao Governo acende o alerta máximo da Justiça Eleitoral.
O alvo estratégico é claro: ao atacar Renato Jr., Salazar e o grupo de Maria do Carmo tentam atingir a imagem do ex-prefeito e candidato ao governo, David Almeida, principal adversário na disputa de 2026.
Blindagem Jurídica em Xeque: O Peso do CNPJ
A Rede Rios de Comunicação LTDA (CNPJ 13.618.225/0001-58), que abriga o portal e a TV, possui Maria do Carmo Seffair como sócia-administradora. Com um capital social de R$ 1,5 milhão, a empresa é uma concessionária de serviços de radiodifusão, o que a impede, por lei, de dar tratamento privilegiado ou disseminar propaganda negativa contra adversários de seus proprietários.
Os pontos críticos da infração:
- Uso de Empresa para Fins Eleitorais: A Lei das Eleições (9.504/97) proíbe que pessoas jurídicas cedam sua estrutura para beneficiar candidaturas.
- Propaganda Negativa Antecipada: O uso de veículos de comunicação para amplificar ataques sistemáticos pode ser configurado como Uso Indevido dos Meios de Comunicação Social.
- Responsabilidade Solidária: O texto assinado por Caio Silva e veiculado no “Rios de Notícias” vincula diretamente a empresa à estratégia política de Salazar, criando uma linha de responsabilidade que recai sobre a administração de Maria do Carmo.
O Perigo da Inelegibilidade
Diferente de uma postagem em perfil pessoal, a utilização de um portal de notícias registrado para hospedar ataques de aliados políticos é um dos caminhos mais curtos para a abertura de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE).
Para analistas jurídicos consultados pelo Chumbo Grosso, a “coincidência” de um veículo de comunicação de uma candidata servir de palanque exclusivo para um aliado atacar opositores fere o princípio da isonomia e pode levar à cassação de registros e à inelegibilidade de todos os envolvidos por 8 anos.
O Chumbo Grosso segue monitorando se haverá pedido de Direito de Resposta por parte da Seminf ou de Renato Jr., e como o Ministério Público Eleitoral (MPE) reagirá ao uso da Rede Rios como braço de ataque partidário.
Texto: Ronaldo Aleixo Jornalista DRT 96423/SP/ Cobras da Direita – Rubson Madeira/Felipe Jr.





