As Forças de Segurança do Amazonas, por meio da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), apresentaram, em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (18/03), o resultado de uma ação integrada que culminou na prisão de Gabriel Maciel, de 33 anos, investigado pelo homicídio e ocultação do cadáver do próprio pai, José Maciel, policial militar aposentado que tinha 60 anos à época do crime.
Durante a coletiva, o delegado-geral adjunto da PC-AM, Guilherme Torres, destacou a brutalidade do crime, que causou grande comoção. “O caso se trata de um crime extremamente cruel, no qual um pai foi assassinado pelo próprio filho. É uma ocorrência que chocou a todos pelo requinte de crueldade. Segundo as investigações, a motivação estaria relacionada à intenção de subtrair duas armas da vítima para comercialização com o tráfico. Lamentamos profundamente essa tragédia e nos solidarizamos com os familiares”, afirmou o delegado.
Guilherme Torres também ressaltou a rapidez da atuação conjunta das forças de segurança na elucidação do caso. “Quero agradecer à Polícia Militar pelo trabalho preliminar realizado no local, bem como ao Corpo de Bombeiros, que, assim que acionado, iniciou imediatamente as buscas. A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros conduziu as investigações com celeridade e, infelizmente, constatou o pior desfecho”, concluiu.
O subcomandante-geral da Polícia Militar do Amazonas, coronel PM Thiago Balbi, informou que a corporação foi acionada, na manhã de sábado (16/05), para averiguar a denúncia de que um corpo estaria ocultado na zona oeste de Manaus. A vítima, policial militar aposentado, estava desaparecida desde setembro de 2019. Conforme as investigações, José Maciel teria saído de casa para levar mantimentos ao filho, no bairro Nova Esperança.
“Durante a visita, ele foi brutalmente assassinado, e o corpo permaneceu ocultado no local, que apresentava grande quantidade de entulhos, o que exigiu o apoio do Corpo de Bombeiros. Assim que acionadas, as equipes compareceram com os equipamentos necessários para a retirada do corpo, que estava escondido há bastante tempo. Essa ocorrência demonstra a integração entre Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, trabalho conjunto que possibilitou a solução do caso pela Delegacia de Homicídios”, destacou o subcomandante-geral da PMAM.
Investigação
Conforme relato da companheira da vítima, José Moura Maciel foi até a residência de Gabriel, localizada no bairro Nova Esperança, e não retornou. Na ocasião, ao ser questionado pelos familiares, Gabriel informou que o pai teria viajado. Desde então, a vítima não foi mais vista, e o caso passou a ser tratado como desaparecimento.
O delegado Ricardo Cunha, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), detalhou as investigações e a dinâmica do crime.
“Trata-se de um fato triste e macabro, mas que recebeu uma resposta rápida das forças de segurança. Gabriel, atualmente com 33 anos, assassinou o próprio pai. Ele é usuário de entorpecentes desde aquela época e havia sido afastado do convívio familiar. O pai era a única pessoa que ainda lhe prestava assistência, levando mantimentos mensalmente e oferecendo algum tipo de sustento. No dia do crime, Gabriel decidiu matar o próprio pai”, relatou o delegado.
De acordo com as investigações, Gabriel, supostamente sob efeito de drogas, teria relatado a terceiros arrependimento pelo crime. A informação chegou ao conhecimento da companheira da vítima, que localizou o suspeito nas proximidades da Orla da Ponta Negra, onde ele se encontrava em situação de rua.
No local, Gabriel confirmou o homicídio à madrasta e foi conduzido por ela ao 6º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Posteriormente, ele foi encaminhado à DEHS.
“Na unidade policial especializada, o suspeito confessou o homicídio e indicou aos policiais o local onde o corpo havia sido ocultado. Em razão do lapso temporal, a localização da ossada foi extremamente difícil. O local estava repleto de entulhos e demandou um dia inteiro de trabalho das equipes. A ocorrência chegou às 7h da manhã, e o corpo foi localizado por volta das 17h. Policiais civis, militares e o Corpo de Bombeiros permaneceram empenhados até a localização da ossada. A vítima foi enterrada de cabeça para baixo, dentro de uma cisterna, enrolada em uma rede”, explicou o delegado.
Devido ao uso excessivo de entorpecentes, acrescentou ainda o delegado, Gabriel não conseguiu detalhar a dinâmica exata do homicídio nem esclarecer se houve participação de terceiros.
“O inquérito policial seguirá em andamento para esclarecer todos os detalhes do crime. Neste momento, o caso está elucidado, o autor encontra-se preso e a família finalmente poderá dar um sepultamento digno ao ente querido”, concluiu o delegado.
Ainda de acordo com a autoridade policial, Gabriel passou por audiência de custódia, teve a sua prisão em flagrante convertida em preventiva e permanece à disposição da Justiça.





