A Justiça de Campo Grande negou o pedido da defesa do mecânico David Lopes Queiroz, de 29 anos, para a instauração de um incidente de insanidade mental. Ele é acusado de ter provocado a morte de quatro pessoas da mesma família em um acidente de trânsito em abril deste ano.
Em sua decisão, o juiz
Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, afirmou que o acusado demonstrou plena consciência de seus atos desde o início das investigações. Segundo o magistrado, durante o interrogatório judicial, Queiroz respondeu com clareza a todas as perguntas.
O advogado de defesa, Pedro Paulo Sperb, havia argumentado que o réu tem um histórico de transtorno mental e comportamental devido ao uso de múltiplas drogas, além de fazer acompanhamento psiquiátrico e uso contínuo de medicação controlada. A defesa usou o argumento do artigo 149 do Código de Processo Penal, que permite a instauração do incidente de insanidade quando há indícios de que o acusado não possui plena sanidade mental.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) se manifestou contra o pedido, alegando que os documentos apresentados — prontuários e receitas — não eram suficientes para comprovar a incapacidade mental.
O juiz seguiu o entendimento do MPMS, ressaltando que o comportamento do mecânico logo após o acidente foi incompatível com a tese de incapacidade mental. De acordo com o relato de policiais rodoviários federais, David tentou se passar por vítima, o que, para o magistrado, demonstrou “lucidez e discernimento” para enganar a autoridade.
O acidente
A colisão ocorreu em 6 de abril, na BR-060, entre Sidrolândia e Campo Grande. O carro conduzido pelo mecânico invadiu a pista contrária, resultando na morte de Drielle Leite Lopes e de seus três filhos, de 5 meses, 2 e 10 anos. O marido de Drielle, Oldiney Centurion, e outro filho do casal, de 12 anos, sobreviveram. Com a negação do pedido, o processo continua sem suspensão, e
Queiroz responderá por homicídio qualificado e tentativas de homicídio.





