A recente divulgação do levantamento de opinião pública do Instituto Paraná Pesquisas (Registro TSE nº AM-01118/2026) reacendeu o debate sobre a real precisão das amostragem eleitorais no Estado do Amazonas. Ao examinar detalhadamente os dados metodológicos e a distribuição espacial das entrevistas no interior, fica evidente uma grave limitação estatística que distorce o sentimento do eleitorado amazonense.
Concentração em Manaus e o ‘Vazio’ Amostral no Interior
Com uma amostra total de 1.350 entrevistados, o levantamento concentrou quase metade da escuta — exatamente 635 pessoas — na capital, Manaus. Enquanto a voz da capital domina a maior parte do peso da pesquisa, o interior de dimensão continental do Amazonas foi reduzido a números inexpressivos por cidade.
A metodologia adotada pelo instituto limitou a coleta em praticamente todas as cidades do interior a escassas 15 entrevistas por município, divididas em apenas 3 setores censitários (míseras 5 entrevistas por localidade). Municípios com relevante contingente populacional e dinâmicas políticas próprias foram resumidos a amostras pífias:
| Município | Setores Censitários | Entrevistas Realizadas | Representatividade Local
|
| Manaus | 127 | 635 | Pesada concentração da amostragem |
| Manacapuru | 9 | 45 | Apenas 45 entrevistados |
| Coari, Itacoatiara e Parintins | 6 (cada) | 30 (cada) | Somente 30 ouvidos por polo regional |
| Demais 33 Municípios do Interior* | 3 (cada) | 15 (cada) | Amostra irrisória (5 pessoas por setor) |
| TOTAL ESTADUAL | 270 | 1.350 | 100% da Amostra do Estado |
*Inclui municípios como Tefé, Tabatinga, Humaitá, Maués, São Gabriel da Cachoeira, Lábrea, Borba, entre outros.
Por que 15 entrevistas por município invalidam a análise do interior?
Na ciência estatística, a margem de erro e a confiabilidade de uma pesquisa dependem diretamente do número de pessoas ouvidas em relação ao grupo estudado. Quando um instituto aplica apenas 15 questionários em uma cidade inteira, a margem de erro local dispara para patamares superiores a 25%, tornando qualquer conclusão individual sobre aquele município completamente inválida do ponto de vista científico.
- Distorção da Rejeição: As altas taxas de rejeição atribuídas a lideranças como Wilson Lima são infladas pelo peso desproporcional do eleitorado urbano da capital, ignorando o apoio e a aprovação consolidada do governo nas calhas dos rios e zonas rurais.
- Incapacidade de captar o sentimento do interiorano: É impossível mapear as preferências eleitorais e a aprovação de obras e ações governamentais ouvindo apenas 15 pessoas espalhadas por territórios municipais gigantescos.
Ao tentar projetar o cenário político do Amazonas se baseando na realidade de Manaus e aplicando amostras irrelevantes nas cidades do interior, a pesquisa Paraná AM-01118/2026 falha em mostrar a verdade de todo o estado. O eleitor amazonense precisa ter acesso a dados transparentes e compreender que a dinâmica política do interior não pode ser reduzida a um punhado de entrevistas.
O texto é um estudo e opinião exclusiva de Ronaldo Aleixo – Jornalista/Mestrando em Políticas Públicas do IDP-SP e Especialista em Direito Digital e LGPD (PUC).
O espaço está aberto para que a Paraná Pesquisa possa se manifestar, caso queira.
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