Esqueça o discurso de ódio e as brigas de internet. Nos bastidores onde o poder realmente é dividido, a engenharia política para as duas vagas ao Senado pelo Amazonas já está desenhada. Fontes quentíssimas de bastidores garantem: Wilson Lima (União Brasil) e Capitão Alberto Neto (PL) vão marchar juntos de olho no Congresso Nacional.
Para não implodir o que resta de harmonia interna e dar palanque para todo mundo, o plano é uma jogada de mestre (ou de pura conveniência): uma separação controlada na disputa pelo Governo do Estado, mas união total na caça aos votos para o Senado.
A Engenharia do Jogo Duplo
Como o “Fator Salazar” e seus ataques diários azedaram a aliança formal entre as siglas na disputa pelo governo, o pragmatismo falou mais alto. A solução encontrada para que ninguém saia perdendo é o isolamento independente na corrida pelo Palácio da Compensa:
- Alberto Neto cumpre tabela e bota o bloco na rua ao lado de Maria do Carmo Seffair (PL).
- Wilson Lima entra de cabeça na campanha de Roberto Cidade (União Brasil).
Mas na hora que o eleitor puxar a cabine para votar para Senador, o acordo é implacável: a base governista e a ala bolsonarista devem cruzar os votos para eleger a dupla Wilson e Alberto.
O Termômetro das Pesquisas: O Empate Técnico que Forçará o Acordo
Essa aliança não nascerá por amor, nascerá pelo medo dos números. As pesquisas internas e de institutos de ponta (como Real Time Big Data e Veritá) acenderão o sinal vermelho para todo mundo, mostrando que ninguém terá cadeira garantida. O cenário será de um empate técnico brutal em todas as frentes:
No Senado: Wilson Lima e Capitão Alberto Neto aparecerão colados, oscilando dentro da margem de erro nos principais cenários. Enquanto Alberto Neto liderará na capital, impulsionado pelo voto de direita (na casa dos 21% a 22%), Wilson Lima se recuperará e dominará o eleitorado do interior (pontuando forte entre 17% e 20%). Como serão duas vagas, a união das duas máquinas — a máquina do Estado e o voto ideológico do PL — será a única garantia de que eles não vão se canibalizar e perder espaço para a esquerda.
No Governo: A briga pelo Palácio também virará um quebra-cabeça. Maria do Carmo (PL) e Roberto Cidade (União Brasil) aparecerão pontuando na casa dos dois dígitos. Com a máquina de Cidade crescendo no interior e Maria do Carmo mantendo o voto consolidado da direita tradicional (chegando a liderar em cenários estimulados), o cenário de indefinição total exigirá que o foco principal das cúpulas mude para o Senado.
O eleitor se preparará para ver uma das campanhas mais esquizofrênicas da história do Amazonas. No palanque do governo, os grupos fingirão que se batem. No palanque do Senado, pedirão votos um para o outro. Será a política do “salve-se quem puder”.
PL e União Brasil





