
BRASÍLIA — Em uma decisão bombástica assinada às pressas no fim da tarde, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a extensão do horário de votação em todo o território nacional até as 19h (horário de Brasília). A canetada atendeu a um pedido de urgência feito pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que alegou boicote e estrangulamento do transporte público para impedir o deslocamento de eleitores.
A decisão do STF passou por cima da cautela do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pouco antes, o presidente do TSE, ministro Nunes Marques, havia afirmado que os pedidos seriam analisados “no seu tempo”, enquanto o Ministério Público Eleitoral (MPE) disparou parecer contrário à prorrogação, alertando que o horário fixado em lei deveria ser mantido para não comprometer a legitimidade do pleito.
“Considerando a gravidade dos fatos narrados […] e diante da urgência evidente na medida, determino a prorrogação por duas horas, até as 19h, do encerramento do recebimento dos votos em todas as seções de todo o Brasil”, cravou Zanin na decisão expedida às 16h32.
PRESSÃO NAS DUAS PONTAIS DA DISPUTA
A ofensiva jurídica começou na Bahia e se alastrou rapidamente pelo país:
Ofensiva do PT: A campanha de Lula acionou primeiro o TRE baiano, subiu o tom para dez estados (somando quase 78 milhões de eleitores) e culminou com o pedido de extensão nacional no TSE e no STF. Em declaração contundente em frente à sua residência, Lula esbravejou contra prefeitos: “Ninguém pode desistir de votar porque algum empresário sacana ou prefeito mau-caráter tentou evitar que o povo votasse. Vamos pedir a prisão desses prefeitos por crime eleitoral.”
Contra-ataque da oposição: A campanha de Flávio Bolsonaro também bateu às portas do TSE exigindo estender a votação, mas com alvo restrito a cinco estados estratégicos: São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
TENSÃO NA BAHIA: ORDEM DE PRISÃO E FROTA BLOQUEADA
O estopim da crise estourou na capital baiana. Em Salvador, cerca de 75 ônibus foram retidos nas garagens sob alegação de ostentarem adesivos de propaganda eleitoral.
A reação da Justiça Eleitoral foi imediata:
Prisão do Secretário: O presidente do TRE-BA mandou prender em flagrante o secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza.
Uso de Drones e PF: O tribunal ordenou a liberação imediata de 100% da frota, fixou multa de R$ 1 milhão por hora em caso de descumprimento e acionou a Polícia Federal para investigar potenciais crimes eleitorais.
Senhas no Portão: O corregedor-geral da Justiça Eleitoral determinou que senhas fossem distribuídas às 17h para todos os eleitores presente nas filas e no entorno dos prédios de votação.
Enquanto a apuração oficial já começou em locais onde o processo foi encerrado, o país vive minutos de pura tensão até o fecho definitivo das urnas estendido para as 19h.




