A seletividade do movimento estudantil na Aleam e a blindagem ao Governo Federal: cadê o passe livre da Ufam?

Talita Duarte é estudante da UFAM/Foto editada em IA

A recente ocupação das galerias da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) por lideranças estudantis expõe uma contradição evidente na atuação dos movimentos que afirmam representar os interesses dos acadêmicos. Ao acamparem no parlamento e adotarem um tom combativo contra figuras políticas locais — rotulando adversários de direita e cobrando o Sinetram pela suspensão do passe livre —, as entidades demonstram uma capacidade legítima de mobilização. Contudo, essa mesma valentia desaparece misteriosamente quando o alvo da cobrança deveria ser o Governo Federal.

A presidência da União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM) exige, de forma incisiva, políticas abrangentes das autoridades regionais. No entanto, o silêncio é absoluto no que diz respeito ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proximidade ideológica e partidária das lideranças das grandes centrais estudantis com o partido no poder funciona como uma blindagem à Presidência da República, poupando-a de manifestações, greves ou ocupações por melhorias estruturais na assistência estudantil e nos repasses universitários.

Se a bandeira defendida pelas lideranças da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) é o direito universal ao deslocamento e a garantia de que nenhum estudante abandone a sala de aula por falta de transporte, a cobrança pela gratuidade integral deveria ser levada também à Esplanada dos Ministérios. Ao poupar o governo federal de exigências duras sobre o custeio do ensino superior, o movimento estudantil abre margem para críticas legítimas de que sua atuação é seletiva, partidária e mais focada em desgastar oponentes políticos locais do que em garantir o passe livre integral para todos os universitários.

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