MANAUS (AM) — O papel aceita tudo, e a publicidade oficial muitas vezes caminha longe da realidade das ruas. Em agosto do ano passado, o Governo do Amazonas anunciou com grande repercussão a inauguração da primeira Casa de Passagem da Pessoa Idosa no estado. Um projeto essencial, com a promessa de funcionar 24 horas por dia, oferecendo acolhimento imediato e equipe multidisciplinar para idosos vítimas de violência ou abandono.
No entanto, uma investigação jornalística do Portal Chumbo Grosso acendeu o alerta sobre a real situação do local. Fontes ligadas à rede de proteção denunciam à nossa reportagem que a estrutura estaria operando apenas de forma figurativa e que o serviço, na prática, não saiu do papel.
Sob a justificativa oficial de manter o endereço em sigilo para garantir a segurança dos acolhidos, o Estado acabou criando uma barreira de falta de transparência. A apuração deste portal indica que o fluxo de atendimento prometido na Delegacia do Idoso (DECCI) simplesmente não se consolidou, diante de supostas carências de estrutura e falta de pessoal técnico operando no local.
Requerimento de deputada aliada expõe contradição do Governo
A suspeita de que o serviço é “fantasma” ganhou um capítulo irônico nos bastidores da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM). A deputada estadual Brena Dianná (UB), membra da base governista, apresentou o requerimento nº 003/2026 solicitando a ampliação desse mesmo serviço para municípios do interior, como Parintins, Maués, Coari e Humaitá, além de novos pontos na capital.
Ao tentar surfar na onda do “envelhecimento com dignidade” e elogiar a gestão, a parlamentar acabou gerando um tremendo mal-estar político. A iniciativa escancarou uma contradição: como o Chumbo Grosso passou a questionar, como a base aliada quer expandir e levar para o interior um serviço que a nossa investigação aponta que sequer funciona de verdade na capital?
Números alarmantes e o descaso real
A cobrança do Chumbo Grosso por transparência se baseia nos dados da própria Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (SEJUSC). Entre 2023 e 2024, o Amazonas registrou mais de 5,3 mil casos de violações contra a pessoa idosa, e o Cipdi realizou 10 mil atendimentos.
Enquanto a população idosa cresce e sofre com a violência física, psicológica e financeira, o poder público parece responder com marketing. A Casa de Passagem, que deveria ser um porto seguro por até 90 dias, hoje é tratada pela nossa equipe de reportagem como uma promessa trancada a sete chaves.

Espaço Aberto / Direito de Resposta
Em respeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do jornalismo ético e responsável praticado por este veículo, o portal Chumbo Grosso deixa este espaço integralmente aberto para que o Governo do Estado do Amazonas, a SEJUSC (na pessoa da secretária Jussara Pedrosa) e a deputada estadual Brena Dianná apresentem seus esclarecimentos, o real número de idosos atendidos e as provas do efetivo funcionamento do local.
O jornalismo do Chumbo Grosso seguirá acompanhando o caso, e esta matéria será atualizada assim que as manifestações forem enviadas à nossa redação.





