Mais que metragem: comprador de imóveis busca equilíbrio entre preço, localização e qualidade em Manaus

Os critérios para comprar um imóvel em Manaus mudaram. Quem antes buscava mais espaço privativo, agora procura oportunidades capazes de conciliar orçamento, localização e qualidade de vida. Dados recentes da Brain Inteligência Estratégica mostram que 92,4% das unidades vendidas na capital entre janeiro e maio de 2026 tinham dois dormitórios e os imóveis entre 35 e 39 metros quadrados foram os mais comercializados.

O movimento acompanha uma tendência nacional de valorização de plantas compactas e melhor aproveitamento dos espaços. Segundo levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), essa tipologia respondeu por 65,2% das unidades residenciais vendidas no país no segundo trimestre de 2026. Para a entidade, a concentração demonstra que este formato atende a diferentes perfis de compradores.

No Amazonas, o movimento ocorre em um mercado que mantém volume expressivo de negócios. Entre janeiro e junho de 2026, Manaus e Iranduba movimentaram R$ 1,445 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV), considerando os segmentos residencial vertical, horizontal e comercial, segundo levantamento da Brain divulgado pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM). Além disso, 76% das unidades residenciais verticais lançadas na região ao longo do segundo trimestre estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida. Isso mostra a alta demanda de famílias que dependem de condições de financiamento para realizar a compra.

Para Victor Lopes, gestor comercial da MRV no Amazonas, os números refletem uma mudança na forma como o comprador avalia a aquisição. “O comprador amazonense procura principalmente equilíbrio. Ele quer um imóvel que caiba no orçamento, mas não quer abrir mão de localização, segurança, lazer e qualidade. Os números mostram isso claramente: hoje, mais de 94% das unidades vendidas em Manaus são de dois dormitórios e aproximadamente 60% das vendas estão concentradas em imóveis entre 35 e 44 metros quadrados. Isso mostra que o cliente aceita uma planta mais compacta, desde que ela entregue valor e qualidade de vida”, afirma.

Segundo o gestor, a decisão também passou a envolver um conjunto maior de fatores além do tamanho do apartamento. “Na MRV, temos percebido que a decisão de compra não está limitada ao apartamento. Ela envolve a condição de financiamento, a entrada, a localização, a estrutura do condomínio e o que aquela aquisição vai representar uma evolução na qualidade de vida da família. Por isso, eu diria que o amazonense não procura simplesmente metros quadrados: ele procura o melhor imóvel possível dentro da sua capacidade de pagamento”, explica.

Essa preferência ajuda a entender por que os empreendimentos atuais têm apostado em plantas menores, mas com ambientes planejados para diferentes usos, além de áreas comuns que ampliam as possibilidades de lazer e convivência. Os últimos lançamentos da MRV em Manaus já correspondem a este movimento, com unidades de dois dormitórios, de 36 a 45 metros quadrados, associadas a estruturas completas de lazer. Entre esses condomínios está o lançamento Vista Dourada, no Bairro da Paz. O empreendimento conta com pelo menos 12 itens na área de lazer, como piscina (adulto e infantil) com prainha; churrasqueira; espaço piquenique; playground, play baby e espaço kids; pet place e pet care, dentre outros.

Para Victor, não se trata da busca por um imóvel maior ou menor, mas sim na relação entre aquilo que a família precisa e aquilo que não compromete sua renda. “O amazonense não está procurando simplesmente uma casa maior ou menor. Ele está procurando um imóvel que seja prático e faça sentido para a vida dele”, resume.

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