Se você olhar as fotos oficiais das pré-campanhas ao Governo do Amazonas, tudo parece uma sinfonia perfeita. Sorrisos largos, apertos de mão calorosos e promessas de fidelidade partidária. Mas basta dar um passo para fora dos palácios e entrar nos grupos fechados de mensagens para perceber que o clima é de um verdadeiro “Casos de Família” da política baré. A pergunta que ecoa nos corredores do poder não é quais são as propostas para o estado, mas sim: afinal, quem está sabotando quem?
O tabuleiro atual desenha um cenário curioso e, para quem acompanha os detalhes, até previsível. Duas candidaturas majoritárias que deveriam incomodar o trono parecem sofrer do mesmo mal: o fogo amigo e a conveniência dos bastidores.
O “Isolamento” de David Almeida na Capital
O episódio recente de um vídeo circulando nas redes sociais, mostrando o ex-prefeito David Almeida (Avante) discursando para uma plateia visivelmente reduzida em uma borracharia na periferia de Manaus, acendeu o alerta vermelho. Ora, para quem governou a capital e tem nela o seu principal reduto eleitoral e recall político, uma agenda esvaziada dessas não é apenas um deslize logístico; tem cheiro de rasteira interna.
Colocar um candidato de expressão para falar para as paredes e, pior, permitir que isso seja gravado e distribuído para portais de notícias do interior é o tipo de “amadorismo” que flerta com a sabotagem. Enquanto a assessoria bate cabeça, os adversários comemoram a narrativa perfeita: a de que o ex-prefeito estaria perdendo a capacidade de mobilização justamente onde sempre foi forte. Quem ganha deixando o flanco do Avante aberto desse jeito?
A Viagem Misteriosa e a “Rifagem” de Maria do Carmo no PL
Se no Avante a fritura é exposta em praça pública, no Partido Liberal (PL) o processo de desidratação ganhou contornos internacionais. O PL ostenta o maior fundo partidário do país e um tempo de TV invejável, ferramentas que deveriam dar musculatura imediata à pré-candidatura da professora Maria do Carmo Seffair. No entanto, o que se vê nos bastidores é um ritmo de passos lentos e um isolamento velado.
O ápice desse estranho cenário ocorreu neste sábado (11/07), quando fontes do meio político confirmaram que a pré-candidata interrompeu abruptamente sua agenda no Amazonas e viajou para o exterior. Até o momento, o silêncio da assessoria é ensurdecedor: ninguém explica o motivo do afastamento e nem quando ela retorna. Em um momento de intensa articulação e fechamento de acordos, largar o barco e pegar um avião para fora do país alimenta as especulações mais sombrias dos bastidores: será o prenúncio de uma desistência ou o resultado de um sufocamento político interno?
A explicação para essa paralisia programada parece estar no pragmatismo selvagem de algumas lideranças da própria sigla. Enquanto a candidata se ausenta, figuras de peso do PL, como os deputados estaduais Péricles e Cabo Maciel, desfrutam de trânsito livre, prestígio e espaços generosos dentro da máquina do atual governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade.
Para bom entendedor, meia palavra basta: para muitos caciques, é muito mais confortável e garantido manter o casamento por debaixo dos panos com quem já está com a chave do cofre estadual do que arriscar o pescoço em uma candidatura própria. Deixar a campanha minguar — ou forçar a candidata ao cansaço — parece ser a estratégia perfeita para abrir espaço para novas composições políticas que interessem ao grupo governista.
O Modus Operandi da Sobrevivência Política
O que estamos presenciando na política amazonense neste momento é a aplicação cirúrgica do mesmo modus operandi: enfraquecer as lideranças por dentro para forçar um afunilamento que favoreça a atual gestão. Os “aliados” descobriam que a máquina pública é uma mãe generosa, e o pragmatismo fala mais alto que a ideologia ou a legenda partidária.
Na política baré, o jogo de traições nunca é pessoal, é apenas negócios. Resta saber até quando os candidatos oficiais vão aceitar o papel de vidraça enquanto os operadores dos bastidores recolhem os cacos para trocar por cargos no próximo governo.
O Chumbo Grosso segue acompanhando cada passo desse tabuleiro. E você, quem acha que vai dar o próximo xeque-mate?
Nota da Redação: O portal Chumbo Grosso ressalta que o espaço permanece integralmente aberto para que as assessorias de Maria do Carmo Seffair, David Almeida, bem como as executivas dos partidos PL e Avante e demais citados, enviem seus posicionamentos, notas oficiais ou esclarecimentos sobre os fatos e especulações narrados nesta coluna de opinião. O direito de resposta será publicado na íntegra.
Texto: Ronaldo Aleixo e Felipe Jr. Membros e administradores do Treta ADM.



